A revolução antietanol: as críticas de Fidel Castro
Castro e Chávez promoviam o uso de biocombustíveis até que Lula e Bush apostaram neles. Segundo Castro, o acordo entre EUA e Brasil terá "efeitos devastadores" no Terceiro Mundo
Joaquim Ibarz escreve da Cidade do México para La Vanguardia (8 Abril 2007):
Fidel Castro não ataca só George Bush por promover o uso de biocombustíveis. Pela primeira vez, criticou o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, por assinar acordos com os EUA para multiplicar o uso do etanol.
Segundo o líder cubano, essa política terá "efeitos devastadores" na produção de alimentos no Terceiro Mundo.
Em uma reportagem publicada no jornal oficial do Partido Comunista Cubano, "Granma", Castro desqualifica em termos duros as conclusões sobre o uso do etanol tiradas nos recentes encontros em Brasília e em Camp David (EUA) entre Bush e Lula.
"Aplicar essa fórmula em escala mundial representa a internacionalização do genocídio", afirmou o dirigente cubano convalescente.
Castro lembrou que Lula publicou um artigo em "The Washington Post" no qual expôs a idéia de transformar os alimentos em combustível.
"O presidente do Brasil afirmou que menos de 1% da terra cultivável brasileira é dedicada à cana para produzir álcool. Essa superfície é quase o triplo da que se empregava em Cuba quando se produziam quase 10 milhões de toneladas de açúcar. Não é minha intenção ofender o Brasil, nem me imiscuir em assuntos relacionados à política interna desse grande país", indica Castro.
Mais tarde, ele denuncia que em Camp David não se resolveram questões fundamentais, como quem fornecerá os cereais necessário para os países desenvolvidos produzirem etanol. Castro, que aposta em métodos mais simples de economia energética, como o uso de lâmpadas incandescentes aplicado em Cuba, encontrou no etanol e nos biocombustíveis um novo campo para atacar os EUA.
O mesmo acontece com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, que fez um giro pela América Latina para condenar a obtenção de biocombustíveis a partir da cana-de-açúcar e sementes de milho, girassol e colza.
A credibilidade das críticas de Castro e Chávez está sendo questionada, porque é mais que sabido que até pouco tempo atrás os dois estavam interessados em promover o etanol.
Ambos passaram para o lado contrário pouco depois que Bush visitou o Brasil e assinou acordos com Lula para aumentar a produção de biocombustíveis. Os analistas atribuem a mudança de posição a considerações políticas, e não ambientais.
Há poucas semanas, Chávez promovia um projeto de cinco anos para cultivar cana para produzir etanol com apoio técnico do Brasil e Cuba. Foram planejadas 15 novas usinas para obter 30 mil barris de etanol diários.
Há apenas um mês Havana e Caracas anunciaram um acordo para construir 11 usinas de etanol na Venezuela com know-how cubano. O acordo incluía a modernização de dez usinas em Cuba e a construção de outras oito baseadas em métodos brasileiros.
Em agosto de 2006, a companhia de petróleo estatal da Venezuela PDVSA assinou um acordo com a estatal brasileira Petrobras para abastecer etanol "em longo prazo", como substituto confiável da gasolina.
Agora apresentam o etanol como ameaça para os pobres. No final de seu giro pela América Latina e Caribe, Chávez disse na Jamaica que havia razões "éticas" para se opor à produção de etanol.
Em 29 de março passado, Castro já publicou no "Granma" um primeiro artigo atacando o plano de etanol de Bush e Lula. Então acusou o presidente americano de condenar mais de 300 milhões de pessoas a uma morte prematura, ao transformar "alimento em combustível".
As críticas de Castro ao etanol não tiveram repercussão na Casa Branca, mas sim no Brasil. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que as idéias do líder cubano são respeitáveis, mas "antigas".
Farto das queixas de Chávez e Castro, Amorim disse sem rodeios: "Ele [Castro] tem idéias que eu sei que são antigas porque por acaso há 20 anos acompanhei o ministro da Ciência e Tecnologia do Brasil numa viagem a Havana e então [Castro] já disse que não dava crédito à utilização do álcool como combustível, porque o açúcar era um produto nobre".
(Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves)
(La Vanguardia, Espanha, 8/4)
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12 - A internacionalização do genocídio, texto de Fidel Castro
Esse esbanjamento colossal de cereais para produzir combustível, sem incluir as sementes oleaginosas, apenas serviria para poupar aos países ricos menos de 15 por cento do consumo anual de seus automóveis vorazes
Eis o texto de Fidel Castro, publicado no jornal Granma, de Cuba (3 de abril de 2007):
A reunião de Camp David acaba de se concluir. Todos escutamos com interesse a entrevista coletiva dos presidentes dos EUA da América e do Brasil, bem como as notícias referentes à reunião e às opiniões expressas.
Encarado Bush às demandas do seu visitante brasileiro quanto às tarifas alfandegárias e aos subsídios que protegem e apóiam a produção norte-americana de etanol, não fez a mais mínima concessão em Camp David.
O presidente Lula atribuiu isso ao encarecimento do milho que, de acordo com suas palavras, aumentou em mais de 85 por cento.
Com antecedência, o jornal The Washington Post publicou o artigo da máxima autoridade do Brasil, em que expôs a idéia de converter os alimentos em combustível.
Não é minha intenção magoar o Brasil, nem me intrometer em assuntos relativos à política interna desse grande país. Foi precisamente no Rio de Janeiro, sede da Reunião Internacional sobre o Meio Ambiente, há exatamente 15 anos, onde denunciei com veemência, num discurso de 7 minutos, os perigos do meio ambiente que ameaçavam a existência de nossa espécie.
Naquela reunião estava presente Bush pai, como presidente dos EUA da América, que, num gesto de cortesia, bateu palmas perante aquelas palavras, como também o fizeram os outros presidentes.
Ninguém em Camp David respondeu à questão fundamental: onde e quem vai fornecer os mais de 500 milhões de toneladas de milho e de outros cereais de que os EUA, a Europa e os países ricos precisam para produzir a quantidade de galões de etanol que as grandes empresas norte-americanas e de outros países exigem como contraparte de seus inúmeros investimentos?
Onde e quem vai produzir a soja, as sementes de girassol e a colza, cujos óleos essenciais esses mesmos países ricos vão converter em combustível?
Um número de países produzem e exportam seus excedentes de alimentos. O balanço entre exportadores e consumidores era já tenso, disparando os preços desses produtos. Em prol da brevidade, não tenho outra alternativa do que me limitar a apontar o seguinte:
Os cinco produtores principais de milho, cevada, sorgo, centeio, mijo (espécie de milho originário da Índia), e aveia que Bush quer converter em matéria-prima para produzir etanol, fornecem ao mercado mundial, segundo dados recentes, 679 milhões de toneladas. Por sua vez, os cinco consumidores principais, alguns dos quais também são produtores desses grãos, precisam atualmente de 604 milhões de toneladas por ano. O excedente disponível se reduz para menos de 80 milhões de toneladas.
Esse esbanjamento colossal de cereais para produzir combustível, sem incluir as sementes oleaginosas, apenas serviria para poupar aos países ricos menos de 15 por cento do consumo anual de seus automóveis vorazes.
Bush, em Camp David, tem declarado a sua intenção de aplicar essa fórmula em nível mundial, o que não significa outra coisa senão a internacionalização do genocídio.
O presidente do Brasil, em sua mensagem publicada pelo The Washington Post, na véspera do encontro em Camp David, afirmou que menos de um por cento da terra cultivável brasileira é dedicada à cana para a produção de etanol.
Essa superfície é quase o triplo daquela que era empregue em Cuba quando se produziam quase 10 milhões de toneladas de açúcar, antes da crise da URSS e da mudança climática.
O nosso país leva mais tempo produzindo e exportando açúcar, em primeiro lugar, com base no trabalho dos escravos, que chegaram a ser mais de 300 mil nos primeiros anos do século 19 e converteram a colônia espanhola no primeiro exportador do mundo.
Quase cem anos depois, nos primórdios do século 20, na pseudo-república, cuja plena independência frustrou a intervenção norte-americana, só imigrantes antilhanos e cubanos analfabetos carregavam o peso da cultura e do corte da cana.
A tragédia de nosso povo era o chamado tempo morto, pelo caráter cíclico dessa cultura. Os canaviais eram propriedade de empresas norte-americanas ou de grandes fazendeiros de origem cubana. Portanto, temos acumulado mais experiência do que qualquer outro sobre o efeito social dessa cultura.
No domingo passado, 1º de abril, a CNN informava a opinião de especialistas brasileiros que afirmavam que muitas das terras dedicadas à cultura da cana foram adquiridas por norte-americanos e europeus ricos.
Nas minhas reflexões publicadas em 29 de março expliquei os efeitos da mudança climática em Cuba, ao qual se acrescentam outras características tradicionais do nosso clima.
Na nossa ilha, pobre e longe do consumismo, não haveria sequer pessoal suficiente para suportar os duros rigores da cultura e do atendimento aos canaviais no meio do calor, das chuvas ou das secas crescentes.
Quando açoitam os furacões, nem sequer as maquinarias mais perfeitas podem fazer a colheita das canas deitadas e retorcidas. Durante séculos não existiu o hábito de queimá-las, nem o solo era compactado sob o peso de maquinarias complexas e caminhões enormes; os fertilizantes nitrogenados, potássicos e fosfóricos, hoje custosos demais, nem sequer existiam, e os meses secos e úmidos se alternavam regularmente.
Na agricultura moderna não há rendimentos elevados possíveis sem a rotação das culturas.
A Agência Francesa de Imprensa transmitiu no domingo, 1º de abril, informações preocupantes a respeito da mudança climática, que peritos reunidos pelas Nações Unidas consideram como uma coisa já inevitável e de graves consequências nas próximas décadas.
"A mudança climática afetará consideravelmente o continente americano, pois gerará mais tormentas violentas e ondas de calor, que na América Latina provocarão secas, com a extinção de espécies e, inclusive fome, segundo o relatório da ONU que deve ser aprovado na semana próxima, em Bruxelas.
"No fim deste século, cada hemisfério sofrerá problemas de água e, se os governos não tomarem medidas, o aumento de temperaturas incrementará os riscos de 'mortalidade, poluição, catástrofes naturais e doenças infecciosas, adverte o Grupo Intergovernamental da Mudança Climática (IPCC).
"Na América Latina, o aquecimento já está degelando os glaciares dos Andes e ameaça a floresta do Amazonas, cujo perímetro pode ir se tornando numa savana", continua afirmando o telex.
"Por causa da grande quantidade de pessoas que vive perto das costas, os EUA também se expõem a fenômenos naturais extremos, como o demonstrou o furacão Katrina em 2005."
"Este é o segundo relatório do IPCC de uma série de três, que abriu em fevereiro passado com uma primeira diagnose científica onde se estabelecia a certeza da mudança climática."
"Nesta segunda entrega de 1.400 páginas, em que é analisada a mudança por sectores e regiões e da qual a AFP obteve uma duplicata, considera-se que, embora sejam tomadas medidas radicais para reduzir as emissões de dióxido de carbono à atmosfera, o aumento das temperaturas em todo o planeta, nas próximas décadas, já é certo", conclui a informação da agência francesa de notícias.
Como era de esperar, Dan Fisk, assessor de Segurança Nacional para a região, declarou no mesmo dia da reunião de Camp David que "na discussão de assuntos regionais, o tema de Cuba seria um deles, e não precisamente para abordar o tema do etanol a respeito do qual o presidente convalescente Fidel Castro escreveu um artigo na quinta-feira mas o da fome que tem criado no povo cubano".
Diante da necessidade de responder a este cavalheiro, vejo-me no dever de lembrar-lhe que o índice de mortalidade infantil em Cuba é menor que o dos EUA. Pode se garantir que não existe nenhum cidadão sem assistência médica gratuita.
Todo mundo estuda e ninguém carece de oferta de trabalho útil, apesar de quase meio século de bloqueio económico e da tentativa dos governos dos EUA da América de renderem o povo cubano mediante a fome e a asfixia econômica.
A China jamais empregaria uma só tonelada de cereais ou de leguminosas para a produção de etanol. Trata-se de uma nação de economia próspera, que ultrapassa recordes de crescimento, onde nenhum cidadão deixa de receber as rendas necessárias para bens essenciais de consumo, apesar de que 48% de sua população, que ultrapassa os 1,3 bilhões de habitantes, trabalha na agricultura.
Antes pelo contrário, propôs-se fazer poupanças consideráveis de energia, eliminando milhares de fábricas que consomem cifras inaceitáveis de eletricidade e combustíveis. Muitos alimentos mencionados eles os importam de qualquer canto do mundo, após transportá-los milhares de quilômetros.
Dezenas e dezenas de países não produzem combustíveis e não podem produzir milho e outros grãos, nem sementes oleaginosas, porque a água não dá para cobrirem suas necessidades mais elementares.
Numa reunião convocada em Buenos Aires pela Câmara da Indústria de Óleos e o Centro de Exportadores sobre a produção de etanol, o holandês Loek Boonekamp, director de Mercados e Comércio Agrícola da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento (OCDE), declarou à imprensa que:
"Os governos ficaram muito entusiasmados; deveriam ter um olhar frio acerca de se deve existir apoio tão forte ao etanol.
"A produção de etanol apenas é viável nos EUA; em nenhum outro país, a não ser que sejam aplicados subsídios.
"Isto não é maná do céu e não temos que nos comprometer cegamente", continua o telex.
"Hoje os países desenvolvidos incentivam para que os combustíveis fósseis sejam misturados com biocombustíveis em cerca de 5%, e isso já faz pressão sobre os preços agrícolas. Se esse corte aumentar para 10%, será necessário 30% da superfície plantada nos EUA e 50% da da Europa. Por isso, pergunto se isso é sustentável. O aumento da demanda por culturas para o etanol produzirá preços mais altos e instáveis."
As medidas protecionistas hoje se elevam a 54 centímetros por galão e os subsídios reais atingem cifras muito mais altas.
Aplicando a aritmética singela que aprendemos no segundo grau, se comprovaria que a simples mudança das lâmpadas de incandescência por fluorescentes, como expressei na minha reflexão anterior, contribuiria com uma poupança de investimento e de recursos energéticos equivalente a trilhões de dólares, sem utilizar um só hectare de terra agrícola.
Enquanto isso, notícias públicas procedentes de Washington afirmam textualmente através da AP:
"O misterioso desaparecimento de milhões de abelhas em todo o território dos EUA tem os apicultores à beira do ataque de nervos e preocupa inclusive o Congresso, que irá debater nesta quinta-feira a crítica situação de um inseto chave para o sector agrícola.
"Os primeiros sinais sérios deste enigma surgiram pouco depois do Natal no estado da Flórida, quando os apicultores se encontraram com que as abelhas tinham sumido.
"Desde então, a síndrome que os peritos batizaram como o Problema do Colapso das Colméias (CCD, pelas siglas em inglês), tem diminuído em 25% os enxames do país.
"Temos perdido mais de meio milhão de colônias de abelhas, com uma população de ao redor de 50 mil abelhas cada uma, disse Daniel Weaver, presidente da Federação Estadunidense de Apicultores, que sublinhou que o mal afeta aproximadamente 30 dos 50 estados do país. O curioso do fenômeno é que em muitos dos casos não se encontram restos mortais.
"Os laboriosos insetos polinizam culturas avaliadas entre US$ 12 bilhões e US$ 14 bilhões, segundo um estudo da Universidade de Cornell.
"Os cientistas baralham todo o tipo de hipóteses, dentre elas, a de que algum pesticida tenha provocado danos neurológicos nas abelhas e alterado o seu sentido da orientação. Outros culpam a seca, e inclusive, as ondas dos telemóveis, mas o certo é que ninguém sabe na verdade qual é o verdadeiro desencadeante."
O pior pode estar por acontecer: uma nova guerra para garantir os fornecimentos de gás e petróleo, que coloque a espécie humana à beira do holocausto total.
Há órgãos de imprensa russos que, invocando fontes de inteligência, têm informado que a guerra contra o Irã está a ser preparada em todos os seus pormenores há mais de três anos, no dia em que o governo dos EUA da América decidiu ocupar Iraque na sua totalidade, desatando uma guerra civil odiosa e interminável.
Enquanto isso, o governo norte-americano destina centenas de bilhões de dólares ao desenvolvimento de armas de tecnologia altamente sofisticada, como as que utilizam sistemas microeletrônicos, ou novas armas nucleares que poderiam estar sobre os alvos uma hora depois de terem recebido a ordem.
Os EUA ignoram olimpicamente que a opinião mundial é contra todo o tipo de armas nucleares.
Demolir até a última fábrica iraniana é uma tarefa técnica relativamente fácil para um poder como o dos EUA. O difícil poderia vir depois se uma nova guerra for desencadeada contra outra crença muçulmana que merece todo o nosso respeito, como as outras religiões dos povos do Oriente Próximo, Médio ou Extremo, antes ou depois do cristianismo.
A captura dos soldados ingleses nas águas jurisdicionais do Irã parece uma provocação exatamente igual à dos chamados "Irmãos ao Resgate", quando violando as ordens do presidente Clinton avançavam sobre as águas da nossa jurisdição e a ação defensiva de Cuba, absolutamente legítima, serviu de pretexto ao governo dos EUA para promulgar a famosa Lei Helms-Burton, que viola a soberania de outros países. Poderosos meios massivos de publicidade sepultaram no esquecimento aquele episódio. Não são poucos os que atribuem o preço do petróleo de quase US$ 70 por barril, atingido na segunda-feira, aos temores de um ataque ao Irã.
Donde vão tirar os países pobres do Terceiro Mundo os recursos mínimos para sobreviverem? Não exagero, nem uso palavras desmedidas, atenho-me aos fatos. Como pode ser constatado, são muitas as faces obscuras do poliedro.
3 de Abril de 2007
Fidel Castro Ruz
(Gramma, 4/4)
terça-feira, abril 10, 2007
terça-feira, abril 03, 2007
200) Cuba, apenas um registro historico...
The Lives of Cubans
by Mary Anastasia O'Grady
The Wall Street Journal, april, 2007
Florian Henckel von Donnersmarck's 2007 Academy Award winning film, "The Lives of Others," recalls the bitterness of East German life under the Stasi. But it is also a reminder of the evils totalitarianism inflicts wherever it lands. When I watched it in a New York cinema recently, I saw Fidel Castro's ruthless Ministry of the Interior -- the Cuban equivalent of the Stasi -- in every frame.
Take, for example, the moment when Stasi police rifle playwright Georg Dreyman's apartment in search of an "illegal" typewriter, after they have broken his fearful girlfriend in a skillful interrogation.
That heart-pounding scene evokes images of Cuba's "black spring," only four years ago, when the ministry's secret police descended on the homes of scores of writers, journalists, peaceful activists and poets, seizing their typewriters, fax machines, paper and ink. Seventy-five were arrested, run through summary trials and handed sentences averaging 20 years.
Today almost all those judged guilty are still rotting in rodent-infested dungeons, largely forgotten by the outside world, while Western audiences recoil in horror at the police state depicted by Mr. Henckel von Donnersmarck. My guess, based on the little we already know, is that when the long tropical totalitarian nightmare finally ends, the cruelty unveiled will make the East Germans look like amateurs.
A report released over the weekend by the Web site Cuba Archive on the murder of 37 civilians who tried to flee the island aboard a tugboat in 1994 suggests just how horrid the the truth is likely to be.
The story of how the "March 13th" was attacked by the Cuban government seven miles offshore has been told in Spanish by Jorge A. Garcia -- who lost his son, grandson and 12 other relatives in the tragedy -- in a 2001 book called "The Sinking of the March 13th Tugboat." But until now the full account, as told by survivors, has not reached English-speakers.
Cuba Archive is an independent research project working to document the deaths of innocents under both the Batista and Castro dictatorships. As part of this work, the project has published an account of that fateful day, drawing heavily from Mr. Garcia's book. Cuba Archive Executive Director Maria Werlau says that she used other sources as well and cross referenced witness claims in order to produce a verifiable document that summarizes the events as they happened.
The tragedy of the March 13th begins at 3 a.m. on July 13, 1994, when 68 civilians boarded the vessel for the final stages of an escape plot that had been hatched months before and promised to land them in freedom 90 miles away. Among the passengers were 15 children, including a 5-month-old infant and five toddlers. Fifty-one-year-old Fidencio Ramel Prieto, the head of operations at the Port of Havana, may have been the most important player in the plan.
According to survivors, the tugboat had only just left the port when another tug began to pursue it, suggesting that the group had been infiltrated. Near the mouth of the harbor the boat giving chase tried to push the March 13th onto the reefs. That effort failed but two other tugs joined the chase and began flooding the March 13th with water cannons. Once out of sight from the shore, the tugs in pursuit began to ram the fleeing vessel and aimed the water cannons at the passengers. Survivors say that from the deck of the boat they signaled that they had children on board and they made their intentions to surrender clear. But the attack continued. Soon a Soviet-built Cuban Coast Guard cutter arrived on the scene.
Many passengers took refuge from the high-pressure water jets by going below deck, a decision that left them trapped when the ramming eventually took its toll and the boat began to sink. Some managed to swim free. But even after the tug sank, government boats made no effort to rescue the survivors who were in the water, clinging to debris and calling for help. When a merchant vessel with Greek flags approached, the Cuban crews finally pulled 31 survivors out of the water, perhaps because foreign witnesses to further deaths were likely to embarrass the regime.
According to Mr. Garcia, all but one of the suvivors have since escaped Cuba. But for the island's brave dissident movement, the event remains a symbol of the hateful system. On July 13, 2005 four activists held a public commemoration in Havana for the victims of the massacre. They were promptly assaulted by Castro's Rapid Response Brigades and later arrested. On Feb. 27 of this year, the four finally went to trial, were found guilty of public disorder and are serving sentences of up to two years.
The intentional sinking of the "March 13th" reveals a government policy of murdering refugees, not unlike the East German practice of shooting those who tried to make it over the Berlin Wall. The only difference is that the Cuban government seems to be running up the score. While there are 227 documented cases of East Germans killed for trying to clear the Wall, Cuba Archive has already documented the deaths of 233 Cubans executed for trying to flee the island. According to Ms. Werlau, there are likely many more. Without a central place to report lost loved ones, there is no way of knowing how many Cubans are missing, let alone killed. Should family members one day be free to come forward, Ms. Werlau says, the total of disappeared will almost certainly climb, even if their fates may never be known. For now that number is Fidel's dirty little secret.
In opening East German archives, researchers have found that the Castro regime worked closely with the Stasi in the 1970s to perfect surveillance and interrogation techniques and on other methods of enhancing fear. Let's remember that the fall of the Wall was not the end of all that. The Stasi's ideals, so grimly portrayed in Mr. Henckel von Donnersmarck's film, live on in Cuba today.
Source: Wall Street Journal
by Mary Anastasia O'Grady
The Wall Street Journal, april, 2007
Florian Henckel von Donnersmarck's 2007 Academy Award winning film, "The Lives of Others," recalls the bitterness of East German life under the Stasi. But it is also a reminder of the evils totalitarianism inflicts wherever it lands. When I watched it in a New York cinema recently, I saw Fidel Castro's ruthless Ministry of the Interior -- the Cuban equivalent of the Stasi -- in every frame.
Take, for example, the moment when Stasi police rifle playwright Georg Dreyman's apartment in search of an "illegal" typewriter, after they have broken his fearful girlfriend in a skillful interrogation.
That heart-pounding scene evokes images of Cuba's "black spring," only four years ago, when the ministry's secret police descended on the homes of scores of writers, journalists, peaceful activists and poets, seizing their typewriters, fax machines, paper and ink. Seventy-five were arrested, run through summary trials and handed sentences averaging 20 years.
Today almost all those judged guilty are still rotting in rodent-infested dungeons, largely forgotten by the outside world, while Western audiences recoil in horror at the police state depicted by Mr. Henckel von Donnersmarck. My guess, based on the little we already know, is that when the long tropical totalitarian nightmare finally ends, the cruelty unveiled will make the East Germans look like amateurs.
A report released over the weekend by the Web site Cuba Archive on the murder of 37 civilians who tried to flee the island aboard a tugboat in 1994 suggests just how horrid the the truth is likely to be.
The story of how the "March 13th" was attacked by the Cuban government seven miles offshore has been told in Spanish by Jorge A. Garcia -- who lost his son, grandson and 12 other relatives in the tragedy -- in a 2001 book called "The Sinking of the March 13th Tugboat." But until now the full account, as told by survivors, has not reached English-speakers.
Cuba Archive is an independent research project working to document the deaths of innocents under both the Batista and Castro dictatorships. As part of this work, the project has published an account of that fateful day, drawing heavily from Mr. Garcia's book. Cuba Archive Executive Director Maria Werlau says that she used other sources as well and cross referenced witness claims in order to produce a verifiable document that summarizes the events as they happened.
The tragedy of the March 13th begins at 3 a.m. on July 13, 1994, when 68 civilians boarded the vessel for the final stages of an escape plot that had been hatched months before and promised to land them in freedom 90 miles away. Among the passengers were 15 children, including a 5-month-old infant and five toddlers. Fifty-one-year-old Fidencio Ramel Prieto, the head of operations at the Port of Havana, may have been the most important player in the plan.
According to survivors, the tugboat had only just left the port when another tug began to pursue it, suggesting that the group had been infiltrated. Near the mouth of the harbor the boat giving chase tried to push the March 13th onto the reefs. That effort failed but two other tugs joined the chase and began flooding the March 13th with water cannons. Once out of sight from the shore, the tugs in pursuit began to ram the fleeing vessel and aimed the water cannons at the passengers. Survivors say that from the deck of the boat they signaled that they had children on board and they made their intentions to surrender clear. But the attack continued. Soon a Soviet-built Cuban Coast Guard cutter arrived on the scene.
Many passengers took refuge from the high-pressure water jets by going below deck, a decision that left them trapped when the ramming eventually took its toll and the boat began to sink. Some managed to swim free. But even after the tug sank, government boats made no effort to rescue the survivors who were in the water, clinging to debris and calling for help. When a merchant vessel with Greek flags approached, the Cuban crews finally pulled 31 survivors out of the water, perhaps because foreign witnesses to further deaths were likely to embarrass the regime.
According to Mr. Garcia, all but one of the suvivors have since escaped Cuba. But for the island's brave dissident movement, the event remains a symbol of the hateful system. On July 13, 2005 four activists held a public commemoration in Havana for the victims of the massacre. They were promptly assaulted by Castro's Rapid Response Brigades and later arrested. On Feb. 27 of this year, the four finally went to trial, were found guilty of public disorder and are serving sentences of up to two years.
The intentional sinking of the "March 13th" reveals a government policy of murdering refugees, not unlike the East German practice of shooting those who tried to make it over the Berlin Wall. The only difference is that the Cuban government seems to be running up the score. While there are 227 documented cases of East Germans killed for trying to clear the Wall, Cuba Archive has already documented the deaths of 233 Cubans executed for trying to flee the island. According to Ms. Werlau, there are likely many more. Without a central place to report lost loved ones, there is no way of knowing how many Cubans are missing, let alone killed. Should family members one day be free to come forward, Ms. Werlau says, the total of disappeared will almost certainly climb, even if their fates may never be known. For now that number is Fidel's dirty little secret.
In opening East German archives, researchers have found that the Castro regime worked closely with the Stasi in the 1970s to perfect surveillance and interrogation techniques and on other methods of enhancing fear. Let's remember that the fall of the Wall was not the end of all that. The Stasi's ideals, so grimly portrayed in Mr. Henckel von Donnersmarck's film, live on in Cuba today.
Source: Wall Street Journal
199) Plano Marshall, 3 de abril de 1948
Aid Bill is Signed by Truman as Reply to Foes of Liberty
Thus America Meets 'Challenge Facing Free World,' President Declares at Ceremony
MARSHALL PRAISES STEP Hails 'Courage and Wisdom' of Congress --
Goods Reported Already on Way to Europe
By Harold B. Hinton
Special to The New York Times, April 3, 1948
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Washington, April 3 -- President Truman signed today the Foreign Assistance Act of 1948, which made the long debated European Recovery Program an actuality, "This measure," he said, "is America's answer to the challenge facing the free world."
The Chief Executive affixed his signature shortly after his return to the capital aboard the Presidential yacht, Williamsburg, from a visit to Williamsburg, Va. A number of the chief architects of the measure witnessed the signing.It took the European Recovery Program ten months to develop from the bare suggestion known as the Marshall Plan to the detailed legislative project signed today. Its originator, George C. Marshall, the Secretary of State, was attending the Inter-American Conference at Bogota, but the following statement was issued on his behalf at the White House:
"The decision of the United States Government as confirmed by the Foreign Assistance Act of 1948 is, I think, an historic step in the foreign policy of this country. The leaders in the Congress and the membership generally have faced a great crisis with courage and wisdom, and with legislative skill, richly deserving of the approval and the determined support of the people."
Witness President's Signature
Mr. Truman, in his own statement, pointed to the efficacy of a Democratic system of free debate under which a bipartisan foreign policy could effectively be enacted into law. Senator Arthur H. Vandenberg, Republican, of Michigan, President Pro Tempore of the Senate and chairman of its Foreign Relations Committee, who is generally credited with guiding the measure to successful passage, witnessed the signature in the president's office.
Others there who had had a hand in forwarding the progress of the legislation, included Secretary of the Interior Julius A. Krug, who headed a committee to study whether the nation's resources would stand the strain of a program of this magnitude; Secretary of the Treasury John W. Snyder, Attorney General Jesse M. Donaldson; Secretary of Agriculture Clinton P. Anderson; Under Secretary of State Robert A. Lovett; Senator Tom Connally, Democrat, of Texas; Speaker Joseph W. Martin Jr., and representatives Charles A. Eaton, Republican of New Jersey, chairman of the House Foreign Affairs Committee, and Sol Bloom, Democrat of New York, its ranking minority member.
Dozen Pens Are Used
The President used a dozen pens to complete his signature to the bill, giving one to each of the witnesses as a souvenir of the occasion.
The measure, which Mr. Truman called "perhaps the greatest venture in constructive statemanship that any nation has undertaken," authorizes the expenditure in the next twelve months of $6,098,000,000 to provide economic assistance to the sixteen nations of Western Europe along with Western Germany, as well as economic and military aid to China, Greece and Turkey.
It provided for an advance by the Reconstruction Finance Corporation of $1,000,000,000 for European aid and another $100,000,000 for China to finance procurement and shipment until Congress is able to pass the necessary appropriations. The State Department will coordinate all the relief activities for the first thirty days, or until President Truman appoints the Economic Cooperation Administrator provided by the law.
Mr. Lovett, who called the enactment "a terrific accomplishment- a magnificent exhibit of what this government can do in handling a really monumental job," said that some supplies for the program were already moving.
Other officials indicated that Italy, France, Austria, Greece, and The Netherlands, where the need is considered urgent, would be among the first to receive shipments.
Mr. Lovett said that requests from recipient countries must undergo a continual screening. Many of the desired items are in short supply, he pointed out, and substitutions may have to be made. Because of the petroleum shortage, it had been believed that coal could be substituted, but the coal strike has lessened this possibility.
Truman Requests Largely Met
The authorized program with some exceptions, particularly on the administrative set-up, is what President Truman requested in his message to Congress of last Dec. 19. It received final passage a day after the deadline of April 1 which he set at that time.
A major change in the measure was the addition of $463,000,000 for China, of which $125,000,000 may be spent on military equipment for Greece and Turkey beyond the $400,000,000 granted last year.
Foreign developments, including the Communist coup in Czechoslovakia and the electoral maneuvers the Communists are making in Italy, greatly helped the passage of the bill. Another factor was the acceptance by the Administration of practical advice offered by Senator Vandenberg in regard to minor changes which would lessen opposition among the Congressional majority.
The European Recovery Program had its genesis in a suggestion advanced by Secretary Marshall during a speech at Harvard University on June 5, 1947. He recommended that the European nations get together to see what they could do among themselves to speed economic rehabilitation and to calculate the deficiency. He intimated that the United States would consider to what extent it could make up this deficiency in the interest of re-establishing peace and security in the world.
The suggestion, informal though it was, met widespread favor in Europe at once. A meeting of the Foreign Ministers of Great Britain, France and the Soviet Union was convoked in Paris within three weeks, but on July 2, Foreign Minister Vyacheslav M. Molotov announced that his Government could not see any merit in the plan and walked out. The Soviet satellite states then imitated its abstention.
Effect of ERP on U.S. Studied
However, representatives of sixteen nations met in Paris on Aug. 30. Under-Secretary of State William L. Clayton went to Paris and offered advice to the conferees. By Sept. 22 they had cast up their accounts and estimated their mutual efforts would fail by a deficit of $19,000,000,000 to assure recovery in the next four years.
While the Paris meeting was still in session a Congressional committee under Representative Christian A. Herter, Republican, of Massachusetts, was traveling around Western Europe securing data by which to evaluate the requests for aid. At home, President Truman called for three reports.
The Council of Economic Advisers was asked to predict the impact of such a program on the economy of the United States. A committee under Secretary Krug was set to work on an inventory of the national natural resources. Another under Secretary of Commerce W. Averell Harriman was directed to consider the industrial and financial strains such a program would impose.
The Soviet satellite states united, on Oct. 5, in what came to be known as the Cominform, in Belgrade and pledged undying opposition to the so called Marshall Plan.
Congressional committees gathered in Washington early in November to hold hearings on the project, Lewis W. Douglas, Ambassador to Great Britain was brought back to Washington to act as a consultant for Congress on behalf of the Administration.
As the situation in Europe grew more acute, President Truman called a session of Congress to meet on Nov. 17. On Dec. 15, it passed an interim aid bill of $590,000,000 to tide over the neediest countries until April 1.
In another message on Dec. 19, just before the session adjourned, President Truman asked for $17,000,000,000 to be made available for European aid over the next four years. When Congress assembled in January, Senator Vandenberg persuaded the administration to scale down the request to $6,800,000,000 for a period of fifteen months.
Thus America Meets 'Challenge Facing Free World,' President Declares at Ceremony
MARSHALL PRAISES STEP Hails 'Courage and Wisdom' of Congress --
Goods Reported Already on Way to Europe
By Harold B. Hinton
Special to The New York Times, April 3, 1948
OTHER HEADLINES
Berlin Americans Spurn Clay Offer to Return to U.S.: Russians Leave Rail Center in Our Sector- M.P. Guard Is Then Withdrawn: Clay Tries a Road Block: Supplies of Food Continue to Flow Into the City -- Western Chiefs Calm
British Authorize Palestine Pipeline: Sanction Franchise for New Link to Handle Oil From Trans-Jordan and Iraq
Italy Seizes Yugoslav Arms Ship; Welcome 500th U.S. Aid Vessel
Washington, April 3 -- President Truman signed today the Foreign Assistance Act of 1948, which made the long debated European Recovery Program an actuality, "This measure," he said, "is America's answer to the challenge facing the free world."
The Chief Executive affixed his signature shortly after his return to the capital aboard the Presidential yacht, Williamsburg, from a visit to Williamsburg, Va. A number of the chief architects of the measure witnessed the signing.It took the European Recovery Program ten months to develop from the bare suggestion known as the Marshall Plan to the detailed legislative project signed today. Its originator, George C. Marshall, the Secretary of State, was attending the Inter-American Conference at Bogota, but the following statement was issued on his behalf at the White House:
"The decision of the United States Government as confirmed by the Foreign Assistance Act of 1948 is, I think, an historic step in the foreign policy of this country. The leaders in the Congress and the membership generally have faced a great crisis with courage and wisdom, and with legislative skill, richly deserving of the approval and the determined support of the people."
Witness President's Signature
Mr. Truman, in his own statement, pointed to the efficacy of a Democratic system of free debate under which a bipartisan foreign policy could effectively be enacted into law. Senator Arthur H. Vandenberg, Republican, of Michigan, President Pro Tempore of the Senate and chairman of its Foreign Relations Committee, who is generally credited with guiding the measure to successful passage, witnessed the signature in the president's office.
Others there who had had a hand in forwarding the progress of the legislation, included Secretary of the Interior Julius A. Krug, who headed a committee to study whether the nation's resources would stand the strain of a program of this magnitude; Secretary of the Treasury John W. Snyder, Attorney General Jesse M. Donaldson; Secretary of Agriculture Clinton P. Anderson; Under Secretary of State Robert A. Lovett; Senator Tom Connally, Democrat, of Texas; Speaker Joseph W. Martin Jr., and representatives Charles A. Eaton, Republican of New Jersey, chairman of the House Foreign Affairs Committee, and Sol Bloom, Democrat of New York, its ranking minority member.
Dozen Pens Are Used
The President used a dozen pens to complete his signature to the bill, giving one to each of the witnesses as a souvenir of the occasion.
The measure, which Mr. Truman called "perhaps the greatest venture in constructive statemanship that any nation has undertaken," authorizes the expenditure in the next twelve months of $6,098,000,000 to provide economic assistance to the sixteen nations of Western Europe along with Western Germany, as well as economic and military aid to China, Greece and Turkey.
It provided for an advance by the Reconstruction Finance Corporation of $1,000,000,000 for European aid and another $100,000,000 for China to finance procurement and shipment until Congress is able to pass the necessary appropriations. The State Department will coordinate all the relief activities for the first thirty days, or until President Truman appoints the Economic Cooperation Administrator provided by the law.
Mr. Lovett, who called the enactment "a terrific accomplishment- a magnificent exhibit of what this government can do in handling a really monumental job," said that some supplies for the program were already moving.
Other officials indicated that Italy, France, Austria, Greece, and The Netherlands, where the need is considered urgent, would be among the first to receive shipments.
Mr. Lovett said that requests from recipient countries must undergo a continual screening. Many of the desired items are in short supply, he pointed out, and substitutions may have to be made. Because of the petroleum shortage, it had been believed that coal could be substituted, but the coal strike has lessened this possibility.
Truman Requests Largely Met
The authorized program with some exceptions, particularly on the administrative set-up, is what President Truman requested in his message to Congress of last Dec. 19. It received final passage a day after the deadline of April 1 which he set at that time.
A major change in the measure was the addition of $463,000,000 for China, of which $125,000,000 may be spent on military equipment for Greece and Turkey beyond the $400,000,000 granted last year.
Foreign developments, including the Communist coup in Czechoslovakia and the electoral maneuvers the Communists are making in Italy, greatly helped the passage of the bill. Another factor was the acceptance by the Administration of practical advice offered by Senator Vandenberg in regard to minor changes which would lessen opposition among the Congressional majority.
The European Recovery Program had its genesis in a suggestion advanced by Secretary Marshall during a speech at Harvard University on June 5, 1947. He recommended that the European nations get together to see what they could do among themselves to speed economic rehabilitation and to calculate the deficiency. He intimated that the United States would consider to what extent it could make up this deficiency in the interest of re-establishing peace and security in the world.
The suggestion, informal though it was, met widespread favor in Europe at once. A meeting of the Foreign Ministers of Great Britain, France and the Soviet Union was convoked in Paris within three weeks, but on July 2, Foreign Minister Vyacheslav M. Molotov announced that his Government could not see any merit in the plan and walked out. The Soviet satellite states then imitated its abstention.
Effect of ERP on U.S. Studied
However, representatives of sixteen nations met in Paris on Aug. 30. Under-Secretary of State William L. Clayton went to Paris and offered advice to the conferees. By Sept. 22 they had cast up their accounts and estimated their mutual efforts would fail by a deficit of $19,000,000,000 to assure recovery in the next four years.
While the Paris meeting was still in session a Congressional committee under Representative Christian A. Herter, Republican, of Massachusetts, was traveling around Western Europe securing data by which to evaluate the requests for aid. At home, President Truman called for three reports.
The Council of Economic Advisers was asked to predict the impact of such a program on the economy of the United States. A committee under Secretary Krug was set to work on an inventory of the national natural resources. Another under Secretary of Commerce W. Averell Harriman was directed to consider the industrial and financial strains such a program would impose.
The Soviet satellite states united, on Oct. 5, in what came to be known as the Cominform, in Belgrade and pledged undying opposition to the so called Marshall Plan.
Congressional committees gathered in Washington early in November to hold hearings on the project, Lewis W. Douglas, Ambassador to Great Britain was brought back to Washington to act as a consultant for Congress on behalf of the Administration.
As the situation in Europe grew more acute, President Truman called a session of Congress to meet on Nov. 17. On Dec. 15, it passed an interim aid bill of $590,000,000 to tide over the neediest countries until April 1.
In another message on Dec. 19, just before the session adjourned, President Truman asked for $17,000,000,000 to be made available for European aid over the next four years. When Congress assembled in January, Senator Vandenberg persuaded the administration to scale down the request to $6,800,000,000 for a period of fifteen months.
198) O problema com o Islam
SENSE OF UMMAH
The Trouble With Islam
Sadly, mainstream Muslim teaching accepts and promotes violence.
BY TAWFIK HAMID
The Wall Street Journal, Tuesday, April 3, 2007
Not many years ago the brilliant Orientalist, Bernard Lewis, published a short history of the Islamic world's decline, entitled "What Went Wrong?" Astonishingly, there was, among many Western "progressives," a vocal dislike for the title. It is a false premise, these critics protested. They ignored Mr. Lewis's implicit statement that things have been, or could be, right.
But indeed, there is much that is clearly wrong with the Islamic world. Women are stoned to death and undergo clitorectomies. Gays hang from the gallows under the approving eyes of the proponents of Shariah, the legal code of Islam. Sunni and Shia massacre each other daily in Iraq. Palestinian mothers teach 3-year-old boys and girls the ideal of martyrdom. One would expect the orthodox Islamic establishment to evade or dismiss these complaints, but less happily, the non-Muslim priests of enlightenment in the West have come, actively and passively, to the Islamists' defense.
These "progressives" frequently cite the need to examine "root causes." In this they are correct: Terrorism is only the manifestation of a disease and not the disease itself. But the root-causes are quite different from what they think. As a former member of Jemaah Islamiya, a group led by al Qaeda's second in command, Ayman al-Zawahiri, I know firsthand that the inhumane teaching in Islamist ideology can transform a young, benevolent mind into that of a terrorist. Without confronting the ideological roots of radical Islam it will be impossible to combat it. While there are many ideological "rootlets" of Islamism, the main tap root has a name--Salafism, or Salafi Islam, a violent, ultra-conservative version of the religion.
It is vital to grasp that traditional and even mainstream Islamic teaching accepts and promotes violence. Shariah, for example, allows apostates to be killed, permits beating women to discipline them, seeks to subjugate non-Muslims to Islam as dhimmis and justifies declaring war to do so. It exhorts good Muslims to exterminate the Jews before the "end of days." The near deafening silence of the Muslim majority against these barbaric practices is evidence enough that there is something fundamentally wrong.
The grave predicament we face in the Islamic world is the virtual lack of approved, theologically rigorous interpretations of Islam that clearly challenge the abusive aspects of Shariah. Unlike Salafism, more liberal branches of Islam, such as Sufism, typically do not provide the essential theological base to nullify the cruel proclamations of their Salafist counterparts. And so, for more than 20 years I have been developing and working to establish a theologically-rigorous Islam that teaches peace.
Yet it is ironic and discouraging that many non-Muslim, Western intellectuals--who unceasingly claim to support human rights--have become obstacles to reforming Islam. Political correctness among Westerners obstructs unambiguous criticism of Shariah's inhumanity. They find socioeconomic or political excuses for Islamist terrorism such as poverty, colonialism, discrimination or the existence of Israel. What incentive is there for Muslims to demand reform when Western "progressives" pave the way for Islamist barbarity? Indeed, if the problem is not one of religious beliefs, it leaves one to wonder why Christians who live among Muslims under identical circumstances refrain from contributing to wide-scale, systematic campaigns of terror.
Politicians and scholars in the West have taken up the chant that Islamic extremism is caused by the Arab-Israeli conflict. This analysis cannot convince any rational person that the Islamist murder of over 150,000 innocent people in Algeria--which happened in the last few decades--or their slaying of hundreds of Buddhists in Thailand, or the brutal violence between Sunni and Shia in Iraq could have anything to do with the Arab-Israeli conflict.
Western feminists duly fight in their home countries for equal pay and opportunity, but seemingly ignore, under a façade of cultural relativism, that large numbers of women in the Islamic world live under threat of beating, execution and genital mutilation, or cannot vote, drive cars and dress as they please.
The tendency of many Westerners to restrict themselves to self-criticism further obstructs reformation in Islam. Americans demonstrate against the war in Iraq, yet decline to demonstrate against the terrorists who kidnap innocent people and behead them. Similarly, after the Madrid train bombings, millions of Spanish citizens demonstrated against their separatist organization, ETA. But once the demonstrators realized that Muslims were behind the terror attacks they suspended the demonstrations. This example sent a message to radical Islamists to continue their violent methods.
Western appeasement of their Muslim communities has exacerbated the problem. During the four-month period after the publication of the Muhammad cartoons in a Danish magazine, there were comparatively few violent demonstrations by Muslims. Within a few days of the Danish magazine's formal apology, riots erupted throughout the world. The apology had been perceived by Islamists as weakness and concession.
Worst of all, perhaps, is the anti-Americanism among many Westerners. It is a resentment so strong, so deep-seated, so rooted in personal identity, that it has led many, consciously or unconsciously, to morally support America's enemies.
Progressives need to realize that radical Islam is based on an antiliberal system. They need to awaken to the inhumane policies and practices of Islamists around the world. They need to realize that Islamism spells the death of liberal values. And they must not take for granted the respect for human rights and dignity that we experience in America, and indeed, the West, today.
Well-meaning interfaith dialogues with Muslims have largely been fruitless. Participants must demand--but so far haven't--that Muslim organizations and scholars specifically and unambiguously denounce violent Salafi components in their mosques and in the media. Muslims who do not vocally oppose brutal Shariah decrees should not be considered "moderates."
All of this makes the efforts of Muslim reformers more difficult. When Westerners make politically-correct excuses for Islamism, it actually endangers the lives of reformers and in many cases has the effect of suppressing their voices.
Tolerance does not mean toleration of atrocities under the umbrella of relativism. It is time for all of us in the free world to face the reality of Salafi Islam or the reality of radical Islam will continue to face us.
Dr. Hamid, a onetime member of Jemaah Islamiya, an Islamist terrorist group, is a medical doctor and Muslim reformer living in the West.
The Trouble With Islam
Sadly, mainstream Muslim teaching accepts and promotes violence.
BY TAWFIK HAMID
The Wall Street Journal, Tuesday, April 3, 2007
Not many years ago the brilliant Orientalist, Bernard Lewis, published a short history of the Islamic world's decline, entitled "What Went Wrong?" Astonishingly, there was, among many Western "progressives," a vocal dislike for the title. It is a false premise, these critics protested. They ignored Mr. Lewis's implicit statement that things have been, or could be, right.
But indeed, there is much that is clearly wrong with the Islamic world. Women are stoned to death and undergo clitorectomies. Gays hang from the gallows under the approving eyes of the proponents of Shariah, the legal code of Islam. Sunni and Shia massacre each other daily in Iraq. Palestinian mothers teach 3-year-old boys and girls the ideal of martyrdom. One would expect the orthodox Islamic establishment to evade or dismiss these complaints, but less happily, the non-Muslim priests of enlightenment in the West have come, actively and passively, to the Islamists' defense.
These "progressives" frequently cite the need to examine "root causes." In this they are correct: Terrorism is only the manifestation of a disease and not the disease itself. But the root-causes are quite different from what they think. As a former member of Jemaah Islamiya, a group led by al Qaeda's second in command, Ayman al-Zawahiri, I know firsthand that the inhumane teaching in Islamist ideology can transform a young, benevolent mind into that of a terrorist. Without confronting the ideological roots of radical Islam it will be impossible to combat it. While there are many ideological "rootlets" of Islamism, the main tap root has a name--Salafism, or Salafi Islam, a violent, ultra-conservative version of the religion.
It is vital to grasp that traditional and even mainstream Islamic teaching accepts and promotes violence. Shariah, for example, allows apostates to be killed, permits beating women to discipline them, seeks to subjugate non-Muslims to Islam as dhimmis and justifies declaring war to do so. It exhorts good Muslims to exterminate the Jews before the "end of days." The near deafening silence of the Muslim majority against these barbaric practices is evidence enough that there is something fundamentally wrong.
The grave predicament we face in the Islamic world is the virtual lack of approved, theologically rigorous interpretations of Islam that clearly challenge the abusive aspects of Shariah. Unlike Salafism, more liberal branches of Islam, such as Sufism, typically do not provide the essential theological base to nullify the cruel proclamations of their Salafist counterparts. And so, for more than 20 years I have been developing and working to establish a theologically-rigorous Islam that teaches peace.
Yet it is ironic and discouraging that many non-Muslim, Western intellectuals--who unceasingly claim to support human rights--have become obstacles to reforming Islam. Political correctness among Westerners obstructs unambiguous criticism of Shariah's inhumanity. They find socioeconomic or political excuses for Islamist terrorism such as poverty, colonialism, discrimination or the existence of Israel. What incentive is there for Muslims to demand reform when Western "progressives" pave the way for Islamist barbarity? Indeed, if the problem is not one of religious beliefs, it leaves one to wonder why Christians who live among Muslims under identical circumstances refrain from contributing to wide-scale, systematic campaigns of terror.
Politicians and scholars in the West have taken up the chant that Islamic extremism is caused by the Arab-Israeli conflict. This analysis cannot convince any rational person that the Islamist murder of over 150,000 innocent people in Algeria--which happened in the last few decades--or their slaying of hundreds of Buddhists in Thailand, or the brutal violence between Sunni and Shia in Iraq could have anything to do with the Arab-Israeli conflict.
Western feminists duly fight in their home countries for equal pay and opportunity, but seemingly ignore, under a façade of cultural relativism, that large numbers of women in the Islamic world live under threat of beating, execution and genital mutilation, or cannot vote, drive cars and dress as they please.
The tendency of many Westerners to restrict themselves to self-criticism further obstructs reformation in Islam. Americans demonstrate against the war in Iraq, yet decline to demonstrate against the terrorists who kidnap innocent people and behead them. Similarly, after the Madrid train bombings, millions of Spanish citizens demonstrated against their separatist organization, ETA. But once the demonstrators realized that Muslims were behind the terror attacks they suspended the demonstrations. This example sent a message to radical Islamists to continue their violent methods.
Western appeasement of their Muslim communities has exacerbated the problem. During the four-month period after the publication of the Muhammad cartoons in a Danish magazine, there were comparatively few violent demonstrations by Muslims. Within a few days of the Danish magazine's formal apology, riots erupted throughout the world. The apology had been perceived by Islamists as weakness and concession.
Worst of all, perhaps, is the anti-Americanism among many Westerners. It is a resentment so strong, so deep-seated, so rooted in personal identity, that it has led many, consciously or unconsciously, to morally support America's enemies.
Progressives need to realize that radical Islam is based on an antiliberal system. They need to awaken to the inhumane policies and practices of Islamists around the world. They need to realize that Islamism spells the death of liberal values. And they must not take for granted the respect for human rights and dignity that we experience in America, and indeed, the West, today.
Well-meaning interfaith dialogues with Muslims have largely been fruitless. Participants must demand--but so far haven't--that Muslim organizations and scholars specifically and unambiguously denounce violent Salafi components in their mosques and in the media. Muslims who do not vocally oppose brutal Shariah decrees should not be considered "moderates."
All of this makes the efforts of Muslim reformers more difficult. When Westerners make politically-correct excuses for Islamism, it actually endangers the lives of reformers and in many cases has the effect of suppressing their voices.
Tolerance does not mean toleration of atrocities under the umbrella of relativism. It is time for all of us in the free world to face the reality of Salafi Islam or the reality of radical Islam will continue to face us.
Dr. Hamid, a onetime member of Jemaah Islamiya, an Islamist terrorist group, is a medical doctor and Muslim reformer living in the West.
domingo, abril 01, 2007
197) Ministerio da classificacao racial
Tendo a ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial da Promoção da Igualdade Racial, feito o contrário do que o seu ministério pretende, isto é, incitado à separação racial e justificado algum racismo anti-branco, dos negros, as reações foram inúmeras. Seleciono apenas esta entrevista:
Historiador vê racismo no discurso de Matilde
Para Florentino, pasta da Igualdade Racial faz o contrário do que anuncia
Felipe Werneck, RIO
O Estado de São Paulo, domingo, 1 abril 2007, p. A-15.
O discurso da ministra Matilde Ribeiro - que disse considerar natural o racismo de negros contra brancos no Brasil - é “racista” e “coerente” com o trabalho desenvolvido por ela à frente da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, diz o doutor em História e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Manolo Florentino. “Se buscarmos os documentos que eles produzem e trocarmos a palavra negro por branco, a impressão é a de que é Goebbels falando. É um troço assim impressionante. A fala tem absoluta coerência, não tem nenhuma novidade”, afirmou Florentino, referindo-se ao ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels.
E qual será o resultado da declaração? “Nenhum. Em um governo pautado fundamentalmente por movimentos sociais, alguém vai ter a coragem de demitir essa senhora?” Para ele, a secretaria promove o contrário do que anuncia, ao estimular a criação de um conjunto de etnias no País. Florentino reconhece que há racismo no Brasil, mas afirma que o conflito é social. Qual é a saída? “Pura e simplesmente tornar esse país um pouco menos pobre.” Ele conversou com o Estado na quinta-feira, em uma sala do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ. A seguir, os principais trechos.
DECLARAÇÃO DA MINISTRA
“A impressão que se tem é a de que as pessoas não têm a menor noção do que estão fazendo. Eu achei a declaração da ministra supercoerente com a idéia de criar uma secretaria, com o que ela vem desenvolvendo. O Estatuto da Igualdade Racial parece um documento nazista. Se buscarmos os documentos que eles produzem e trocarmos a palavra negro por branco, a impressão é a de que é Goebbels falando. Grande parte dos documentos emanados por este órgão, por estar pautada na racialização, trabalha em última instância com a noção de raça. Evidentemente, quando se pensa em raça hoje em dia imediatamente se remete ao nazismo, que foi efetivamente ao longo dos últimos 100 anos o mais importante, para o mal, projeto de humanidade calcado em racialização.”
CRIME
“Tem três coisas que me parecem interessantes na fala da ministra. Uma é o desconhecimento muito grande da legislação brasileira, porque racismo é crime. O que a ministra fez, mesmo depois dando aquelas explicações, atenta contra a lei. Ela deveria, ou poderia, ser processada por insuflar racismo. Ela teve uma atitude racista. A outra coisa: parece que nós estamos sendo governados nesse setor pelo senso comum, porque trabalha-se com a categoria raça, que é um troço que está banido da antropologia, da sociologia e da biologia. (O que a ciência já provou amplamente é que só existe uma raça, a humana). A terceira dimensão é que é impressionante: uma pessoa que ocupa um cargo público dizer esse tipo de coisa. Acho que é um desconhecimento, não é possível que alguém no mundo de hoje não saiba que raças não existem. Pode ser qualquer pessoa, menos um ministro de Estado que tem por função promover a igualdade racial. Acho que ela está sendo pautada pelos movimentos sociais, está cumprindo um papel lamentável, nesse caso especifico. E o terrível é que não vai haver pedido de desculpas, não vai acontecer nada.”
MOVIMENTO NEGRO
“Nos primórdios dos movimentos negros brasileiros, nos anos 30, eles postulavam um sentido de profundo orgulho da nossa miscigenação. Os primeiros líderes negros sabiam com clareza o que significava isso do ponto de vista civilizacional. E não apostavam de modo algum em um País repartido, separado, apartado, de brancos de um lado e negros do outro. Atualmente a postura é diferente. E aí eu não acho que o governo Lula seja o único culpado. Por interferência e diretriz governamental, tem se postulado sim a fundação de um novo Brasil, bicolor, separado, repartido em etnias. Voltar a uma etapa de multiculturalismo que já está historicamente ultrapassada. Os chamados movimentos sociais têm um peso muito grande nas formulações de políticas nesse governo. Então eles não devem ser ouvidos? Claro que devem. Mas o Estado brasileiro é o Estado dos brasileiros. O presidente é o presidente dos brasileiros, não é o presidente dos negros, dos azuis, dos amarelos, sequer dos pobres.”
RACISMO E POBREZA
“Não creio que uma pessoa no Brasil hoje se afaste de um negro por ele ser negro. As pessoas gostam de negros, gostam de brancos, gostam de amarelos, ou não gostam de negros, não gostam de brancos, não gostam de amarelos. Você está perguntando se há racismo no Brasil. Eu não tenho a menor dúvida disso. A minha dúvida é se a gente combate o racismo a partir de políticas que primam por racializar as relações. Acho que não. Racismo, para mim, é caso de polícia. O grande problema brasileiro é a pobreza mesmo. Eu não tenho muita certeza se o racismo brasileiro chega a se expressar numa espécie de apartheid como na África do Sul. Essa brincadeirinha com raças no Brasil, a criação de identidade étnica num país como esse, isso vai acabar insuflando o ódio racial. Muita gente diz que hoje em dia o Brasil não é racista. Eu acho mais correto dizer que não queremos ser racistas. Agora, que há, há. Cor no Brasil é uma questão de posição social. Você enriquece e vai deixando de ser negro ou pardo. O Chico Buarque disse uma vez que jura ter visto um sujeito que era branco e que ficando pobre passou a ser tratado como preto. O que se pode fazer é pura e simplesmente tornar esse país um pouco menos pobre. Na medida em que o país retoma o crescimento econômico, mais pessoas abandonam a linha de pobreza, e essas pessoas são pardas e negras.”
COTAS
“Percebeu-se, e aí a coisa vem desde a época do Fernando Henrique, que isso não seria uma batalha fácil. Sobretudo porque as nossas grandes universidades rejeitam. E o que aconteceu é que eles resolveram mudar de estratégia. Em vez de impor o projeto de cima para baixo, eles vão fazer uma espécie de chantagem, em que a liberação de verbas vai ficar condicionada à adoção de políticas afirmativas. Essa é que é a questão. É o sonho de todo político: inclusão social a custo zero, que não toma o tempo dele e ele ainda ganha votos.”
FRASES
Manolo Florentino
Professor da UFRJ
“Se buscarmos os documentos que eles produzem e trocarmos a palavra negro por branco, a impressão é a de que é Goebbels falando”
“Parece que nós estamos sendo governados nesse setor pelo senso comum, porque trabalha-se com a categoria raça, que é um troço que está banido”
Historiador vê racismo no discurso de Matilde
Para Florentino, pasta da Igualdade Racial faz o contrário do que anuncia
Felipe Werneck, RIO
O Estado de São Paulo, domingo, 1 abril 2007, p. A-15.
O discurso da ministra Matilde Ribeiro - que disse considerar natural o racismo de negros contra brancos no Brasil - é “racista” e “coerente” com o trabalho desenvolvido por ela à frente da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, diz o doutor em História e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Manolo Florentino. “Se buscarmos os documentos que eles produzem e trocarmos a palavra negro por branco, a impressão é a de que é Goebbels falando. É um troço assim impressionante. A fala tem absoluta coerência, não tem nenhuma novidade”, afirmou Florentino, referindo-se ao ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels.
E qual será o resultado da declaração? “Nenhum. Em um governo pautado fundamentalmente por movimentos sociais, alguém vai ter a coragem de demitir essa senhora?” Para ele, a secretaria promove o contrário do que anuncia, ao estimular a criação de um conjunto de etnias no País. Florentino reconhece que há racismo no Brasil, mas afirma que o conflito é social. Qual é a saída? “Pura e simplesmente tornar esse país um pouco menos pobre.” Ele conversou com o Estado na quinta-feira, em uma sala do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ. A seguir, os principais trechos.
DECLARAÇÃO DA MINISTRA
“A impressão que se tem é a de que as pessoas não têm a menor noção do que estão fazendo. Eu achei a declaração da ministra supercoerente com a idéia de criar uma secretaria, com o que ela vem desenvolvendo. O Estatuto da Igualdade Racial parece um documento nazista. Se buscarmos os documentos que eles produzem e trocarmos a palavra negro por branco, a impressão é a de que é Goebbels falando. Grande parte dos documentos emanados por este órgão, por estar pautada na racialização, trabalha em última instância com a noção de raça. Evidentemente, quando se pensa em raça hoje em dia imediatamente se remete ao nazismo, que foi efetivamente ao longo dos últimos 100 anos o mais importante, para o mal, projeto de humanidade calcado em racialização.”
CRIME
“Tem três coisas que me parecem interessantes na fala da ministra. Uma é o desconhecimento muito grande da legislação brasileira, porque racismo é crime. O que a ministra fez, mesmo depois dando aquelas explicações, atenta contra a lei. Ela deveria, ou poderia, ser processada por insuflar racismo. Ela teve uma atitude racista. A outra coisa: parece que nós estamos sendo governados nesse setor pelo senso comum, porque trabalha-se com a categoria raça, que é um troço que está banido da antropologia, da sociologia e da biologia. (O que a ciência já provou amplamente é que só existe uma raça, a humana). A terceira dimensão é que é impressionante: uma pessoa que ocupa um cargo público dizer esse tipo de coisa. Acho que é um desconhecimento, não é possível que alguém no mundo de hoje não saiba que raças não existem. Pode ser qualquer pessoa, menos um ministro de Estado que tem por função promover a igualdade racial. Acho que ela está sendo pautada pelos movimentos sociais, está cumprindo um papel lamentável, nesse caso especifico. E o terrível é que não vai haver pedido de desculpas, não vai acontecer nada.”
MOVIMENTO NEGRO
“Nos primórdios dos movimentos negros brasileiros, nos anos 30, eles postulavam um sentido de profundo orgulho da nossa miscigenação. Os primeiros líderes negros sabiam com clareza o que significava isso do ponto de vista civilizacional. E não apostavam de modo algum em um País repartido, separado, apartado, de brancos de um lado e negros do outro. Atualmente a postura é diferente. E aí eu não acho que o governo Lula seja o único culpado. Por interferência e diretriz governamental, tem se postulado sim a fundação de um novo Brasil, bicolor, separado, repartido em etnias. Voltar a uma etapa de multiculturalismo que já está historicamente ultrapassada. Os chamados movimentos sociais têm um peso muito grande nas formulações de políticas nesse governo. Então eles não devem ser ouvidos? Claro que devem. Mas o Estado brasileiro é o Estado dos brasileiros. O presidente é o presidente dos brasileiros, não é o presidente dos negros, dos azuis, dos amarelos, sequer dos pobres.”
RACISMO E POBREZA
“Não creio que uma pessoa no Brasil hoje se afaste de um negro por ele ser negro. As pessoas gostam de negros, gostam de brancos, gostam de amarelos, ou não gostam de negros, não gostam de brancos, não gostam de amarelos. Você está perguntando se há racismo no Brasil. Eu não tenho a menor dúvida disso. A minha dúvida é se a gente combate o racismo a partir de políticas que primam por racializar as relações. Acho que não. Racismo, para mim, é caso de polícia. O grande problema brasileiro é a pobreza mesmo. Eu não tenho muita certeza se o racismo brasileiro chega a se expressar numa espécie de apartheid como na África do Sul. Essa brincadeirinha com raças no Brasil, a criação de identidade étnica num país como esse, isso vai acabar insuflando o ódio racial. Muita gente diz que hoje em dia o Brasil não é racista. Eu acho mais correto dizer que não queremos ser racistas. Agora, que há, há. Cor no Brasil é uma questão de posição social. Você enriquece e vai deixando de ser negro ou pardo. O Chico Buarque disse uma vez que jura ter visto um sujeito que era branco e que ficando pobre passou a ser tratado como preto. O que se pode fazer é pura e simplesmente tornar esse país um pouco menos pobre. Na medida em que o país retoma o crescimento econômico, mais pessoas abandonam a linha de pobreza, e essas pessoas são pardas e negras.”
COTAS
“Percebeu-se, e aí a coisa vem desde a época do Fernando Henrique, que isso não seria uma batalha fácil. Sobretudo porque as nossas grandes universidades rejeitam. E o que aconteceu é que eles resolveram mudar de estratégia. Em vez de impor o projeto de cima para baixo, eles vão fazer uma espécie de chantagem, em que a liberação de verbas vai ficar condicionada à adoção de políticas afirmativas. Essa é que é a questão. É o sonho de todo político: inclusão social a custo zero, que não toma o tempo dele e ele ainda ganha votos.”
FRASES
Manolo Florentino
Professor da UFRJ
“Se buscarmos os documentos que eles produzem e trocarmos a palavra negro por branco, a impressão é a de que é Goebbels falando”
“Parece que nós estamos sendo governados nesse setor pelo senso comum, porque trabalha-se com a categoria raça, que é um troço que está banido”
domingo, março 25, 2007
196) A "irredutivel" pobreza africana...
Africa's Poverty Trap
William R. Easterly
Wall Street Journal, New York, Mar 23, 2007. pg. A.11
There is a sad law I have noticed in my economics career: the poorer the country, the poorer the economic analysis applied to it. Sub- Saharan Africa, which this month marks the 50th anniversary of its first nation to gain independence, Ghana, bears this out.
There has been progress in many areas over the last 50 years -- life-saving drugs, the Internet, air conditioning, Powerpoint slides, the iPod, the acting of Penelope Cruz -- yet the same poor economics on sale to Ghana in 1957 are still there today. Economists involved in Africa then and now undervalued free markets, instead coming up with one of the worst ideas ever: state direction by the states least able to direct.
African governments are not the only ones that are bad, but they have ranked low for decades on most international comparisons of corruption, state failure, red tape, lawlessness and dictatorship. Nor is recognizing such bad government "racist" -- this would be an insult to the many Africans who risk their lives to protest their own bad governments. Instead, corrupt and mismanaged governments on the continent reflect the unhappy way in which colonizers artificially created most nations, often combining antagonistic ethnicities. Anyway, the results of statist economics by bad states was a near-zero rise in GDP per capita for Ghana, and the same for the average African nation, over the last 50 years.
Why was state intervention considered crucial in 1957? Africa was thought to be in a "poverty trap," since the poor could not save enough to finance investment necessary to growth. Free markets could not get you out of poverty. The response was state-led, aid-financed investment. Alas, these ideas had already failed the laugh test then, as the late economist P.T. Bauer pointed out. The U.S. in 1776 was at the same level as Africa today, yet it escaped the poverty trap. The same was also true for the history of Western Europe, Australia, Japan, New Zealand and Latin America. All of these escapes from poverty happened without a state-led, aid-financed "Big Push."
In the ensuing 50 years, there have been plenty more examples of poor countries which grew rapidly without much aid -- China and India (who each receive around half a percent of income in foreign aid) being the most famous recent examples. Meanwhile, aid amounted to 14% of total income year in and year out in the average African country since independence.
Despite these reality checks, blockbuster reports over the last two years by the U.N. Millennium Project (led by Jeffrey Sachs), Mr. Sachs again in his book "The End of Poverty," the U.N. Development Program (UNDP), the Tony Blair Commission for Africa, and the U.N. Conference on Trade and Development (Unctad) have all reached what the UNDP called "a consensus on development": Today Africa needs another Big Push. Do they really think nobody is paying attention?
Africa's poverty trap is well covered in the media, since it features such economists as Angelina Jolie, Madonna, Bono and Brad Pitt. But even Bill Gates, at an appearance at the World Economic Forum in Davos, Switzerland in January 2007, expressed indifference to Africa's stagnant GDP, since "you can't eat GDP." Mr. Gates apparently missed the economics class that listed the components of GDP, such as food.
The World Bank and the International Monetary Fund have good economists who have criticized state intervention. Under the pressure of anti-market activists, alas, they have soft-pedaled these views lately in favor of African governments producing National Poverty Reduction Strategies to meet U.N.-led Millennium Development Goals by the year 2015. The role of private businesses is to be the subject of bureaucrats'"sustained action." As Kofi Annan explained in a rare U.N. reference to the market, "Success will require sustained action across the entire decade between now and the deadline . . . to grow the small and large businesses able to create the jobs and income needed."
The cowed IMF and the World Bank never mention the words "free market" in thousands of pages devoted to ending poverty. Even the World Bank's 2005 World Development Report "A Better Investment Climate for Everyone" doesn't mention the forbidden words. World Bank economists are so scared of offending anyone on Africa that they recite tautologies. The press release describing the findings of the 2006 World Bank report "Challenges of African Growth" announces: the "single most important reason" for Africa's "lagging position in eradicating poverty," finally "has been identified." It is "Africa's slow and erratic growth." The next World Bank report may reveal that half a dozen beers has been identified as the single most important reason for a six-pack.
Today Unctad (in its 2006 "Big Push" report) still offers to make possible government "infant-industry policies" for "small, fragmented economies" by setting up a regional market, presumably so Burkina Faso and Niger can help absorb the potential output of the Togolese automobile industry. Unctad lacks everything but chutzpah: All aid to Africa, it said, should be moved into a new U.N. Development Fund for Africa, to which Unctad helpfully offered its "in-house experience," by creating a Commission on Aid and Development inside of Unctad. Unctad will thus permit the economics of Africa to at last "escape from ideological biases," so we can finally understand "why economic activity should not be left entirely to market forces."
The free market is no overnight panacea; it is just the gradual engine that ends poverty. African entrepreneurs have shown what they are capable of. They have, for example,launched the world's fastest growing cell phone industry to replace the moribund state landlines. What a tragedy, therefore, that aid agencies have foisted the poorest economics in the world on the poorest people in the world for 50 years. The hopeful sign is that many independent Africans themselves are increasingly learning the economics of how to get rich, rather than of how to stay poor.
William R. Easterly
Wall Street Journal, New York, Mar 23, 2007. pg. A.11
There is a sad law I have noticed in my economics career: the poorer the country, the poorer the economic analysis applied to it. Sub- Saharan Africa, which this month marks the 50th anniversary of its first nation to gain independence, Ghana, bears this out.
There has been progress in many areas over the last 50 years -- life-saving drugs, the Internet, air conditioning, Powerpoint slides, the iPod, the acting of Penelope Cruz -- yet the same poor economics on sale to Ghana in 1957 are still there today. Economists involved in Africa then and now undervalued free markets, instead coming up with one of the worst ideas ever: state direction by the states least able to direct.
African governments are not the only ones that are bad, but they have ranked low for decades on most international comparisons of corruption, state failure, red tape, lawlessness and dictatorship. Nor is recognizing such bad government "racist" -- this would be an insult to the many Africans who risk their lives to protest their own bad governments. Instead, corrupt and mismanaged governments on the continent reflect the unhappy way in which colonizers artificially created most nations, often combining antagonistic ethnicities. Anyway, the results of statist economics by bad states was a near-zero rise in GDP per capita for Ghana, and the same for the average African nation, over the last 50 years.
Why was state intervention considered crucial in 1957? Africa was thought to be in a "poverty trap," since the poor could not save enough to finance investment necessary to growth. Free markets could not get you out of poverty. The response was state-led, aid-financed investment. Alas, these ideas had already failed the laugh test then, as the late economist P.T. Bauer pointed out. The U.S. in 1776 was at the same level as Africa today, yet it escaped the poverty trap. The same was also true for the history of Western Europe, Australia, Japan, New Zealand and Latin America. All of these escapes from poverty happened without a state-led, aid-financed "Big Push."
In the ensuing 50 years, there have been plenty more examples of poor countries which grew rapidly without much aid -- China and India (who each receive around half a percent of income in foreign aid) being the most famous recent examples. Meanwhile, aid amounted to 14% of total income year in and year out in the average African country since independence.
Despite these reality checks, blockbuster reports over the last two years by the U.N. Millennium Project (led by Jeffrey Sachs), Mr. Sachs again in his book "The End of Poverty," the U.N. Development Program (UNDP), the Tony Blair Commission for Africa, and the U.N. Conference on Trade and Development (Unctad) have all reached what the UNDP called "a consensus on development": Today Africa needs another Big Push. Do they really think nobody is paying attention?
Africa's poverty trap is well covered in the media, since it features such economists as Angelina Jolie, Madonna, Bono and Brad Pitt. But even Bill Gates, at an appearance at the World Economic Forum in Davos, Switzerland in January 2007, expressed indifference to Africa's stagnant GDP, since "you can't eat GDP." Mr. Gates apparently missed the economics class that listed the components of GDP, such as food.
The World Bank and the International Monetary Fund have good economists who have criticized state intervention. Under the pressure of anti-market activists, alas, they have soft-pedaled these views lately in favor of African governments producing National Poverty Reduction Strategies to meet U.N.-led Millennium Development Goals by the year 2015. The role of private businesses is to be the subject of bureaucrats'"sustained action." As Kofi Annan explained in a rare U.N. reference to the market, "Success will require sustained action across the entire decade between now and the deadline . . . to grow the small and large businesses able to create the jobs and income needed."
The cowed IMF and the World Bank never mention the words "free market" in thousands of pages devoted to ending poverty. Even the World Bank's 2005 World Development Report "A Better Investment Climate for Everyone" doesn't mention the forbidden words. World Bank economists are so scared of offending anyone on Africa that they recite tautologies. The press release describing the findings of the 2006 World Bank report "Challenges of African Growth" announces: the "single most important reason" for Africa's "lagging position in eradicating poverty," finally "has been identified." It is "Africa's slow and erratic growth." The next World Bank report may reveal that half a dozen beers has been identified as the single most important reason for a six-pack.
Today Unctad (in its 2006 "Big Push" report) still offers to make possible government "infant-industry policies" for "small, fragmented economies" by setting up a regional market, presumably so Burkina Faso and Niger can help absorb the potential output of the Togolese automobile industry. Unctad lacks everything but chutzpah: All aid to Africa, it said, should be moved into a new U.N. Development Fund for Africa, to which Unctad helpfully offered its "in-house experience," by creating a Commission on Aid and Development inside of Unctad. Unctad will thus permit the economics of Africa to at last "escape from ideological biases," so we can finally understand "why economic activity should not be left entirely to market forces."
The free market is no overnight panacea; it is just the gradual engine that ends poverty. African entrepreneurs have shown what they are capable of. They have, for example,launched the world's fastest growing cell phone industry to replace the moribund state landlines. What a tragedy, therefore, that aid agencies have foisted the poorest economics in the world on the poorest people in the world for 50 years. The hopeful sign is that many independent Africans themselves are increasingly learning the economics of how to get rich, rather than of how to stay poor.
sábado, março 24, 2007
195) Europa: 50 anos, mas uma senhora ainda atraente...
A mademoiselle espiègle des annés 1960 tornou-se, aos 50 anos, uma senhora um pouco adiposa, com várias rugas e alguns problemas nas articulações. Mas tem gente -- geralmente pobres em busca de algum dinheiro fácil -- que ainda a acha atraente, sobretudo se ela puder liberar o uso de um cartão de crédito generoso...
Abaixo, duas matérias no Le Monde deste sábado, 24/03, com data de domingo 25/03:
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Paulo Roberto de Almeida
Analyse
L'Europe, 50 ans et un modèle en crise
Jean-Louis Andreani
Le Monde, 24.03.07
Cinquante ans après la signature du traité de Rome, il y a deux manières de voir la crise de confiance qui mine l'Union européenne. On peut considérer que celle-ci est victime des mauvais réflexes de peuples toujours prêts à exprimer de vieux prurits nationalistes, surtout quand ils y sont encouragés, comme en France, par des gouvernements prompts à peindre l'Europe en noir pour masquer leurs propres errements.
Mais on peut aussi juger que l'essentiel n'est pas là. Que la réalité de l'Europe est si différente de celle qui était promise qu'un certain vertige est assez compréhensible. Ainsi, en Bretagne, l'une des régions les plus europhiles, un sondage "sortie des urnes" au soir du référendum de 2005 sur la Constitution indiquait que "la construction européenne est souhaitée, mais (que> plus elle avance, plus elle est vécue comme un recul" (Stéphane Rozès, "Les Bretons sont-ils toujours européens ?", Bretagnes no 1, janvier-mars 2006). Un Manifeste pour l'Europe de l'Institut Montaigne (cercle de réflexion d'inspiration libérale), publié en octobre 2005, quelques mois après le référendum, observait lui aussi : "Aux yeux de la grande majorité de ses habitants, l'UE est désormais un problème plutôt qu'une solution : elle donne l'apparence d'une machine lourde et opaque qui (...) contribue à intensifier la concurrence pour l'emploi en intégrant en son sein des pays à bas coûts."
Pour les "pères" français de l'Europe, Jean Monnet et Robert Schuman, l'Union est une construction pragmatique. Sa principale idéologie, c'est la paix. L'économie de marché n'est certainement pas une concurrence à tout crin, au sein d'une simple zone de libre-échange. L'"Europe politique, l'Europe puissance", comme l'a rappelé Jacques Chirac le 11 mars, est l'ambition essentielle, qui inspire le Marché commun.
Mais tout se passe comme si, à partir du milieu des années 1980, l'équilibre s'inversait de plus en plus vite. Au libéralisme tempéré des fondateurs français a succédé le néolibéralisme (autrefois appelé néoclassicisme), pour qui la concurrence si possible "pure et parfaite" est la pierre angulaire de l'économie et de la société. Les dirigeants de Bruxelles sont désormais en phase avec cette doctrine, qui a connu une remontée fulgurante sur la scène internationale depuis la fin des années 1970. Les gouvernements, y compris français, appuient, ou laissent faire, une politique qui, par principe, se défie de tout ce qui est public, vante les mérites du privé. Pourtant, ce virage idéologique n'est jamais avoué, encore moins soumis à un choix démocratique clair.
Ainsi, il est devenu banal d'observer que l'un des maux de l'Union est le manque de politique industrielle. Le constat ne serait pas le même si pendant des années, ce vocable n'avait pas fait figure de repoussoir, dans les milieux de la Commission, où il symbolisait un dirigisme honni. De même, une étude réalisée à la fin des années 1980 par la Commission auprès des entreprises allemandes (alors de l'Ouest), indiquait que l'un des principaux avantages du marché intérieur ouvert par l'Acte unique de 1986 devait être "l'élimination des distorsions de concurrence dues à la variété des taux d'imposition et des types d'impôts" (Le Grand Marché européen, Daniel Moulis et Christian Talgorn, Editions d'organisation 1993). A l'inverse, ces entreprises ont vu se construire une Europe dont les membres rivalisent à coups de dumping fiscal et social.
L'interprétation de la notion de concurrence "non faussée" est une autre source de doute. La Commission ne semble pas estimer que les salaires de misère, le non-respect des droits syndicaux voire de ceux de la personne, les atteintes à l'environnement de la planète, puissent "fausser" les règles de la compétition économique. Alors qu'elle est très tatillonne pour autoriser la moindre aide d'Etat à un secteur fragile, ou tolérer un habitat social jugé trop généreux aux Pays-Bas.
FAIBLESSE POLITIQUE, LANGUEUR ÉCONOMIQUE
De même, comment ne pas s'interroger quand la commissaire à la concurrence, Neelie Kroes, affirme, début 2006, que Bruxelles étudiera le projet de rachat (réalisé depuis) d'Arcelor par Mittal "sous le seul angle de la concurrence", sans s'occuper du fait que l'un soit européen et l'autre non ? Ou quand Peter Mandelson, son homologue au commerce, se félicite du fait que "l'Europe est le marché le plus ouvert du monde, plus ouvert même que les Etats-Unis" (Le Figaro du 26 septembre 2005) ? La naïveté, feinte ou réelle, de l'Europe face aux pratiques économiques de ses concurrents, en particulier les Etats-Unis, est un sujet de perplexité pour une partie de l'opinion et des décideurs, qui constatent par exemple que les aides du gouvernement américain à Boeing sont sans commune mesure avec celles dont bénéficie Airbus.
Par ailleurs, plus l'Union s'élargit, plus l'Europe politique se dilue. A l'été 2006, devant les ambassadeurs de France, Catherine Colonna, ministre déléguée aux affaires européennes, reconnaissait que l'élargissement "modifie en profondeur la nature même du projet européen, alors que l'on affecte de croire que l'on poursuit la même construction européenne". Certains partisans de l'adhésion de la Turquie, comme Michel Rocard, ont la franchise de reconnaître que celle-ci reviendrait à signer l'acte de décès d'une Europe politique, déjà cliniquement morte : "Mais où voyez-vous une politique extérieure commune ? Elle n'existe pas. Il faut cesser de pleurnicher sur le rêve d'une Europe politique. Celui-ci a été brisé en 1973, lorsque la Grande-Bretagne a adhéré" (Paris Match, 7-12 octobre 2004). Au demeurant, on voit mal comment la construction d'un espace économique, structuré autour de rivalités internes, serait de nature à réduire les nationalismes politiques...
Le problème est qu'au bout du compte l'affaiblissement politique de l'Union a une conséquence, pourtant facile à prévoir : la langueur économique. Le 12 février à Paris, lors d'un forum sur l'Europe, l'historien israélien Elie Barnavi indiquait que "le point noir de l'Europe, c'est bien le refus de faire de la politique ensemble", tandis que l'économiste Jean-Paul Fitoussi évoquait "le coût économique de la non-existence politique" ; et sociale, pourrait-on ajouter. Malgré tout, les lignes sont en train de frémir. Et la France n'est plus seule à tenter d'infléchir le cours des choses. Le 22 février, le ministre allemand du travail, Franz Müntefering, a fait de l'Europe sociale une "question centrale". Son homologue français, Gérard Larcher, s'est félicité de ce nouvel état d'esprit, en observant : "Il n'est plus interdit de parler de normes sociales européennes." C'est tout dire.
Jean-Louis Andreani
Jacques Delors, ancien président de la commission européenne
Quand la France faisait avancer l'Europe
Le Monde, 24.03.07
L'Europe est assez peu évoquée dans la campagne électorale française, alors que le thème national revient sans cesse. Faut-il s'en inquiéter ?
Disons que l'air du temps n'est pas bon. Il y a eu comme ça des périodes dans la construction européenne où à cause d'une crise ou d'une mésentente grave chaque pays se repliait sur ses positions. Il serait d'ailleurs excessif d'en attribuer toute la responsabilité au non prononcé par les électeurs en France et aux Pays-Bas au traité constitutionnel en 2005. Si l'on devait chercher une explication, en dehors de l'état psychologique de la société française, je dirais que le dernier élargissement (quand l'UE est passée de quinze à vingt-cinq membres en 2004 puis à vingt-sept en 2007) a été mal conçu, mal expliqué et sans doute mal conduit.
En cinquante ans, nous avons connu d'autres moments difficiles, comme la politique de la chaise vide décidée par le général de Gaulle en 1965, alors que l'Europe avait démarré en trombe. Ensuite, au début de la décennie suivante, ce fut la dévaluation-flottement du dollar (1971) et le premier choc pétrolier (1973-1974). On a vu alors chaque pays se replier sur lui-même et choisir ses propres solutions - totalement divergentes dans le cas de l'Allemagne et de la France. Jusqu'au jour où, le choc pétrolier étant digéré, a été créé à l'initiative de Valéry Giscard d'Estaing et d'Helmut Schmidt le système monétaire européen, qui a ramené non seulement le calme, mais l'espoir et le goût de travailler ensemble.
La crise actuelle de l'Europe n'est-elle pas plus profonde ?
L'histoire de la construction européenne n'a jamais été un long fleuve tranquille. La crise actuelle me paraît cependant plus profonde car elle révèle des conceptions très divergentes sur les finalités de la construction européenne. Il est vrai qu'en 1992 déjà nous avons dû construire le traité de Maastricht avec deux clauses d'opting out (exemption pour certains pays), l'une sur le protocole social et l'autre sur l'Union économique et monétaire, cette dernière ayant permis au Royaume-Uni, au Danemark et à la Suède de ne pas adopter l'euro. Mais, aujourd'hui, c'est pire, j'ai le sentiment que ceux qui refusent l'Europe politique sous n'importe quelle forme - confédération ou fédération d'Etats-nations - pensent avoir gagné la partie : ils sont contents quand les choses traînent parce que ça les arrange.
Avez-vous été surpris par le fait que cette tendance l'emporte en France en 2005 ? Après tout, cette Constitution avait été proposée par les Français.
Au passage, je souligne que je n'ai jamais été enthousiasmé par le terme "Constitution". Car pour les Français, avec la tête politique qu'ils ont, Constitution signifiait que tous les pouvoirs allaient être dévolus à l'UE. A ce moment-là, il était normal qu'ils lui demandent beaucoup, beaucoup trop. En dehors de ça, la France se caractérise par une forte angoisse devant la mondialisation et par le fait qu'on y compte autant de sujets de mécontentement que de groupes sociaux. Enfin, il y a le désenchantement démocratique - qui touche l'ensemble de l'Europe de l'Ouest.
Même si les Français semblent se passionner pour l'élection présidentielle, il n'est pas sûr qu'ils aient, comme il y a vingt, trente ou cinquante ans, la conviction que la politique peut changer les choses. Dans ces conditions, j'ai essayé de faire passer, sans convaincre, l'argument suivant : ce que la France devait faire pour elle-même, l'Europe ne le ferait pas à sa place. Il faut rappeler sans cesse que l'essentiel de la politique économique, la politique de l'emploi, la sécurité sociale et la répartition des revenus sont de la compétence nationale. Or durant la campagne pour le référendum, certains reprochaient à l'Union européenne d'être responsable du chômage en France. Au final, les coups de poing sur la table de nos dirigeants plus le non au référendum, cela fait une addition sévère pour l'influence de la France en Europe.
A quel moment les choses ont-elles mal tourné, après les années d'élan qu'a connues la construction européenne ?
Le tournant, c'est la débâcle monétaire de 1992. A l'approche de la ratification du traité de Maastricht, la lire italienne, puis la livre sterling, ont été contraintes par la spéculation de sortir du système monétaire européen, et le franc français a été lui aussi menacé en juillet 1993. Ces turbulences monétaires ont mis un point final à la phase de croissance stimulée par la perspective du marché unique. Il y avait une véritable euphorie, plus de dix millions d'emplois ont été créés en Europe pendant cette période. Et puis le vent a tourné.
Est-ce lié à la chute du mur de Berlin ?
Non. Bien sûr, certains partenaires de l'Allemagne s'interrogeaient. Pas moi, qui ai dit tout de suite, en me référant à une clause du traité de Rome que les Allemands de l'Est avaient pleinement leur place en Europe. L'hésitation n'a pas duré longtemps, du reste : un conseil européen spécial s'est réuni à Dublin, fin avril 1990, et l'unification a été acceptée. Non, le changement de climat dont j'ai parlé avait beaucoup plus à voir, comme après 1971, avec la détérioration de la situation économique mondiale. Les pays se replient sur eux-mêmes, les réflexes nationalistes reviennent. Quand j'ai présenté mon Livre blanc sur Croissance, compétitivité et emploi, en décembre 1993, il a fallu se fâcher pour qu'il soit adopté au sommet de Bruxelles : le coeur n'y était pas.
Cela correspondait aussi à la fin du mandat de François Mitterrand et Helmut Kohl était affaibli politiquement...
Un jour, à Paris, comme je m'inquiétais que les choses n'avancent pas, François Mitterrand m'a dit : "Vous savez, la Seine continuera de couler !" Et quelques mois plus tard, dans une conversation avec Helmut Kohl, le voilà à son tour qui me dit : "Mais ne te fais pas tant de mauvais sang, le Rhin ne va pas s'arrêter de couler." Ils estimaient, à juste titre, qu'ils avaient fait leur part. Ce qui a beaucoup pesé, c'est que l'Allemagne n'arrivait pas à digérer son unification, qui engloutissait chaque année 4 % de son PIB. La France et l'Italie en ont pâti aussi, à l'exception des années 1997-2001, où la croissance française a été forte, grâce à une reprise mondiale et aussi aux mérites du gouvernement de Lionel Jospin.
Si c'était à refaire, referiez-vous l'élargissement ?
Replaçons-nous au moment de la chute du mur de Berlin. La hantise, c'était qu'il y ait des affrontements, des violences. Et tout s'est passé le mieux possible, grâce à la sagesse des dirigeants au rang desquels je place Mikhail Gorbatchev, le président Bush père, Helmut Kohl et François Mitterrand. Comment ne pas dire à ces pays qui sont européens que c'était à la fois un devoir et un bonheur de les accueillir ? Il n'y a qu'en France que ça n'a pas été bien expliqué.
A l'époque, j'avais proposé, sans succès, d'offrir à ces pays un toit politique pour leur donner le temps de s'insérer dans cette vaste économie de marché aux règles multiples. Comme nous ne l'avons pas fait, ils se sont tournés vers l'Alliance atlantique et vers des recettes anglo-saxonnes de type big bang, si bien que la France a perdu sur les deux tableaux. Aujourd'hui, un autre défi se pose dans les Balkans. Ces pays sont dans l'état où était l'Europe de l'Ouest en 1950 : la peur de la guerre, la peur de l'autre. Il faut leur proposer la même méthode : faites une union douanière, échangez, coopérez ! "Le pardon et la promesse", disait Hannah Arendt. Cela montre bien la noblesse de ces gens qui, il y a cinquante ans, ont imaginé un avenir de paix pour l'Europe
Tout est-il bloqué dans les institutions ?
Les choses continuent d'avancer au Parlement européen, qui a fait d'énormes progrès. A l'époque où je dirigeais la Commission européenne, j'ai bénéficié d'une coalition historique entre les sociaux-démocrates et les chrétiens-démocrates. Aujourd'hui, la social-démocratie, à laquelle j'appartiens, est minoritaire, la majorité est du côté du centre droit et des libéraux, dont certains prônent le libéralisme économique jusqu'aux extrêmes. Les socialistes européens mènent leur bataille politique, sans renoncer à arracher des avancées. Ainsi, ce Parlement a accompli un remarquable travail sur la directive Services et sur la directive Reach (vérification de l'innocuité de plusieurs milliers de produits chimiques), en parvenant à un compromis politique dynamique. Les partis politiques français ont beaucoup de mal à comprendre cette règle du jeu, parce qu'ils veulent une Europe à la française. Or on ne réussit pas dans ces conditions.
Tous les dirigeants français qui ont oeuvré positivement pour l'Europe, depuis les années 1950, pensaient que le rayonnement de la France, le maintien de son influence, passaient par la construction européenne. Cet élément essentiel, qui noue le patriotisme national avec la vocation européenne, a manqué cruellement ces dernières années. Nos partenaires aiment la France, mais celle qui dit "nous, les Européens", pas celle qui donne des coups de menton.
Que pensez-vous de la place de l'Europe dans la campagne présidentielle ?
Je suis déçu de la façon dont on en parle, pas besoin d'en dire plus. Pour la suite, il faudra d'abord faire le ménage chez nous, pour faire face au triple défi de la démographie, de la mondialisation et de la mutation technologique. Alors nous pourrons redevenir cette France ouverte, capable de propositions généreuses, audacieuses qui lui ont permis de marquer, depuis l'appel de Robert Schuman en 1950, l'histoire de l'Europe.
Président de la Commission européenne de janvier 1985 à janvier 1995. Ancien ministre de l'économie et des finances.
Propos recueillis par Henri de Bresson et Sophie Gherardi
Article paru dans l'édition du 25.03.07.
Abaixo, duas matérias no Le Monde deste sábado, 24/03, com data de domingo 25/03:
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Paulo Roberto de Almeida
Analyse
L'Europe, 50 ans et un modèle en crise
Jean-Louis Andreani
Le Monde, 24.03.07
Cinquante ans après la signature du traité de Rome, il y a deux manières de voir la crise de confiance qui mine l'Union européenne. On peut considérer que celle-ci est victime des mauvais réflexes de peuples toujours prêts à exprimer de vieux prurits nationalistes, surtout quand ils y sont encouragés, comme en France, par des gouvernements prompts à peindre l'Europe en noir pour masquer leurs propres errements.
Mais on peut aussi juger que l'essentiel n'est pas là. Que la réalité de l'Europe est si différente de celle qui était promise qu'un certain vertige est assez compréhensible. Ainsi, en Bretagne, l'une des régions les plus europhiles, un sondage "sortie des urnes" au soir du référendum de 2005 sur la Constitution indiquait que "la construction européenne est souhaitée, mais (que> plus elle avance, plus elle est vécue comme un recul" (Stéphane Rozès, "Les Bretons sont-ils toujours européens ?", Bretagnes no 1, janvier-mars 2006). Un Manifeste pour l'Europe de l'Institut Montaigne (cercle de réflexion d'inspiration libérale), publié en octobre 2005, quelques mois après le référendum, observait lui aussi : "Aux yeux de la grande majorité de ses habitants, l'UE est désormais un problème plutôt qu'une solution : elle donne l'apparence d'une machine lourde et opaque qui (...) contribue à intensifier la concurrence pour l'emploi en intégrant en son sein des pays à bas coûts."
Pour les "pères" français de l'Europe, Jean Monnet et Robert Schuman, l'Union est une construction pragmatique. Sa principale idéologie, c'est la paix. L'économie de marché n'est certainement pas une concurrence à tout crin, au sein d'une simple zone de libre-échange. L'"Europe politique, l'Europe puissance", comme l'a rappelé Jacques Chirac le 11 mars, est l'ambition essentielle, qui inspire le Marché commun.
Mais tout se passe comme si, à partir du milieu des années 1980, l'équilibre s'inversait de plus en plus vite. Au libéralisme tempéré des fondateurs français a succédé le néolibéralisme (autrefois appelé néoclassicisme), pour qui la concurrence si possible "pure et parfaite" est la pierre angulaire de l'économie et de la société. Les dirigeants de Bruxelles sont désormais en phase avec cette doctrine, qui a connu une remontée fulgurante sur la scène internationale depuis la fin des années 1970. Les gouvernements, y compris français, appuient, ou laissent faire, une politique qui, par principe, se défie de tout ce qui est public, vante les mérites du privé. Pourtant, ce virage idéologique n'est jamais avoué, encore moins soumis à un choix démocratique clair.
Ainsi, il est devenu banal d'observer que l'un des maux de l'Union est le manque de politique industrielle. Le constat ne serait pas le même si pendant des années, ce vocable n'avait pas fait figure de repoussoir, dans les milieux de la Commission, où il symbolisait un dirigisme honni. De même, une étude réalisée à la fin des années 1980 par la Commission auprès des entreprises allemandes (alors de l'Ouest), indiquait que l'un des principaux avantages du marché intérieur ouvert par l'Acte unique de 1986 devait être "l'élimination des distorsions de concurrence dues à la variété des taux d'imposition et des types d'impôts" (Le Grand Marché européen, Daniel Moulis et Christian Talgorn, Editions d'organisation 1993). A l'inverse, ces entreprises ont vu se construire une Europe dont les membres rivalisent à coups de dumping fiscal et social.
L'interprétation de la notion de concurrence "non faussée" est une autre source de doute. La Commission ne semble pas estimer que les salaires de misère, le non-respect des droits syndicaux voire de ceux de la personne, les atteintes à l'environnement de la planète, puissent "fausser" les règles de la compétition économique. Alors qu'elle est très tatillonne pour autoriser la moindre aide d'Etat à un secteur fragile, ou tolérer un habitat social jugé trop généreux aux Pays-Bas.
FAIBLESSE POLITIQUE, LANGUEUR ÉCONOMIQUE
De même, comment ne pas s'interroger quand la commissaire à la concurrence, Neelie Kroes, affirme, début 2006, que Bruxelles étudiera le projet de rachat (réalisé depuis) d'Arcelor par Mittal "sous le seul angle de la concurrence", sans s'occuper du fait que l'un soit européen et l'autre non ? Ou quand Peter Mandelson, son homologue au commerce, se félicite du fait que "l'Europe est le marché le plus ouvert du monde, plus ouvert même que les Etats-Unis" (Le Figaro du 26 septembre 2005) ? La naïveté, feinte ou réelle, de l'Europe face aux pratiques économiques de ses concurrents, en particulier les Etats-Unis, est un sujet de perplexité pour une partie de l'opinion et des décideurs, qui constatent par exemple que les aides du gouvernement américain à Boeing sont sans commune mesure avec celles dont bénéficie Airbus.
Par ailleurs, plus l'Union s'élargit, plus l'Europe politique se dilue. A l'été 2006, devant les ambassadeurs de France, Catherine Colonna, ministre déléguée aux affaires européennes, reconnaissait que l'élargissement "modifie en profondeur la nature même du projet européen, alors que l'on affecte de croire que l'on poursuit la même construction européenne". Certains partisans de l'adhésion de la Turquie, comme Michel Rocard, ont la franchise de reconnaître que celle-ci reviendrait à signer l'acte de décès d'une Europe politique, déjà cliniquement morte : "Mais où voyez-vous une politique extérieure commune ? Elle n'existe pas. Il faut cesser de pleurnicher sur le rêve d'une Europe politique. Celui-ci a été brisé en 1973, lorsque la Grande-Bretagne a adhéré" (Paris Match, 7-12 octobre 2004). Au demeurant, on voit mal comment la construction d'un espace économique, structuré autour de rivalités internes, serait de nature à réduire les nationalismes politiques...
Le problème est qu'au bout du compte l'affaiblissement politique de l'Union a une conséquence, pourtant facile à prévoir : la langueur économique. Le 12 février à Paris, lors d'un forum sur l'Europe, l'historien israélien Elie Barnavi indiquait que "le point noir de l'Europe, c'est bien le refus de faire de la politique ensemble", tandis que l'économiste Jean-Paul Fitoussi évoquait "le coût économique de la non-existence politique" ; et sociale, pourrait-on ajouter. Malgré tout, les lignes sont en train de frémir. Et la France n'est plus seule à tenter d'infléchir le cours des choses. Le 22 février, le ministre allemand du travail, Franz Müntefering, a fait de l'Europe sociale une "question centrale". Son homologue français, Gérard Larcher, s'est félicité de ce nouvel état d'esprit, en observant : "Il n'est plus interdit de parler de normes sociales européennes." C'est tout dire.
Jean-Louis Andreani
Jacques Delors, ancien président de la commission européenne
Quand la France faisait avancer l'Europe
Le Monde, 24.03.07
L'Europe est assez peu évoquée dans la campagne électorale française, alors que le thème national revient sans cesse. Faut-il s'en inquiéter ?
Disons que l'air du temps n'est pas bon. Il y a eu comme ça des périodes dans la construction européenne où à cause d'une crise ou d'une mésentente grave chaque pays se repliait sur ses positions. Il serait d'ailleurs excessif d'en attribuer toute la responsabilité au non prononcé par les électeurs en France et aux Pays-Bas au traité constitutionnel en 2005. Si l'on devait chercher une explication, en dehors de l'état psychologique de la société française, je dirais que le dernier élargissement (quand l'UE est passée de quinze à vingt-cinq membres en 2004 puis à vingt-sept en 2007) a été mal conçu, mal expliqué et sans doute mal conduit.
En cinquante ans, nous avons connu d'autres moments difficiles, comme la politique de la chaise vide décidée par le général de Gaulle en 1965, alors que l'Europe avait démarré en trombe. Ensuite, au début de la décennie suivante, ce fut la dévaluation-flottement du dollar (1971) et le premier choc pétrolier (1973-1974). On a vu alors chaque pays se replier sur lui-même et choisir ses propres solutions - totalement divergentes dans le cas de l'Allemagne et de la France. Jusqu'au jour où, le choc pétrolier étant digéré, a été créé à l'initiative de Valéry Giscard d'Estaing et d'Helmut Schmidt le système monétaire européen, qui a ramené non seulement le calme, mais l'espoir et le goût de travailler ensemble.
La crise actuelle de l'Europe n'est-elle pas plus profonde ?
L'histoire de la construction européenne n'a jamais été un long fleuve tranquille. La crise actuelle me paraît cependant plus profonde car elle révèle des conceptions très divergentes sur les finalités de la construction européenne. Il est vrai qu'en 1992 déjà nous avons dû construire le traité de Maastricht avec deux clauses d'opting out (exemption pour certains pays), l'une sur le protocole social et l'autre sur l'Union économique et monétaire, cette dernière ayant permis au Royaume-Uni, au Danemark et à la Suède de ne pas adopter l'euro. Mais, aujourd'hui, c'est pire, j'ai le sentiment que ceux qui refusent l'Europe politique sous n'importe quelle forme - confédération ou fédération d'Etats-nations - pensent avoir gagné la partie : ils sont contents quand les choses traînent parce que ça les arrange.
Avez-vous été surpris par le fait que cette tendance l'emporte en France en 2005 ? Après tout, cette Constitution avait été proposée par les Français.
Au passage, je souligne que je n'ai jamais été enthousiasmé par le terme "Constitution". Car pour les Français, avec la tête politique qu'ils ont, Constitution signifiait que tous les pouvoirs allaient être dévolus à l'UE. A ce moment-là, il était normal qu'ils lui demandent beaucoup, beaucoup trop. En dehors de ça, la France se caractérise par une forte angoisse devant la mondialisation et par le fait qu'on y compte autant de sujets de mécontentement que de groupes sociaux. Enfin, il y a le désenchantement démocratique - qui touche l'ensemble de l'Europe de l'Ouest.
Même si les Français semblent se passionner pour l'élection présidentielle, il n'est pas sûr qu'ils aient, comme il y a vingt, trente ou cinquante ans, la conviction que la politique peut changer les choses. Dans ces conditions, j'ai essayé de faire passer, sans convaincre, l'argument suivant : ce que la France devait faire pour elle-même, l'Europe ne le ferait pas à sa place. Il faut rappeler sans cesse que l'essentiel de la politique économique, la politique de l'emploi, la sécurité sociale et la répartition des revenus sont de la compétence nationale. Or durant la campagne pour le référendum, certains reprochaient à l'Union européenne d'être responsable du chômage en France. Au final, les coups de poing sur la table de nos dirigeants plus le non au référendum, cela fait une addition sévère pour l'influence de la France en Europe.
A quel moment les choses ont-elles mal tourné, après les années d'élan qu'a connues la construction européenne ?
Le tournant, c'est la débâcle monétaire de 1992. A l'approche de la ratification du traité de Maastricht, la lire italienne, puis la livre sterling, ont été contraintes par la spéculation de sortir du système monétaire européen, et le franc français a été lui aussi menacé en juillet 1993. Ces turbulences monétaires ont mis un point final à la phase de croissance stimulée par la perspective du marché unique. Il y avait une véritable euphorie, plus de dix millions d'emplois ont été créés en Europe pendant cette période. Et puis le vent a tourné.
Est-ce lié à la chute du mur de Berlin ?
Non. Bien sûr, certains partenaires de l'Allemagne s'interrogeaient. Pas moi, qui ai dit tout de suite, en me référant à une clause du traité de Rome que les Allemands de l'Est avaient pleinement leur place en Europe. L'hésitation n'a pas duré longtemps, du reste : un conseil européen spécial s'est réuni à Dublin, fin avril 1990, et l'unification a été acceptée. Non, le changement de climat dont j'ai parlé avait beaucoup plus à voir, comme après 1971, avec la détérioration de la situation économique mondiale. Les pays se replient sur eux-mêmes, les réflexes nationalistes reviennent. Quand j'ai présenté mon Livre blanc sur Croissance, compétitivité et emploi, en décembre 1993, il a fallu se fâcher pour qu'il soit adopté au sommet de Bruxelles : le coeur n'y était pas.
Cela correspondait aussi à la fin du mandat de François Mitterrand et Helmut Kohl était affaibli politiquement...
Un jour, à Paris, comme je m'inquiétais que les choses n'avancent pas, François Mitterrand m'a dit : "Vous savez, la Seine continuera de couler !" Et quelques mois plus tard, dans une conversation avec Helmut Kohl, le voilà à son tour qui me dit : "Mais ne te fais pas tant de mauvais sang, le Rhin ne va pas s'arrêter de couler." Ils estimaient, à juste titre, qu'ils avaient fait leur part. Ce qui a beaucoup pesé, c'est que l'Allemagne n'arrivait pas à digérer son unification, qui engloutissait chaque année 4 % de son PIB. La France et l'Italie en ont pâti aussi, à l'exception des années 1997-2001, où la croissance française a été forte, grâce à une reprise mondiale et aussi aux mérites du gouvernement de Lionel Jospin.
Si c'était à refaire, referiez-vous l'élargissement ?
Replaçons-nous au moment de la chute du mur de Berlin. La hantise, c'était qu'il y ait des affrontements, des violences. Et tout s'est passé le mieux possible, grâce à la sagesse des dirigeants au rang desquels je place Mikhail Gorbatchev, le président Bush père, Helmut Kohl et François Mitterrand. Comment ne pas dire à ces pays qui sont européens que c'était à la fois un devoir et un bonheur de les accueillir ? Il n'y a qu'en France que ça n'a pas été bien expliqué.
A l'époque, j'avais proposé, sans succès, d'offrir à ces pays un toit politique pour leur donner le temps de s'insérer dans cette vaste économie de marché aux règles multiples. Comme nous ne l'avons pas fait, ils se sont tournés vers l'Alliance atlantique et vers des recettes anglo-saxonnes de type big bang, si bien que la France a perdu sur les deux tableaux. Aujourd'hui, un autre défi se pose dans les Balkans. Ces pays sont dans l'état où était l'Europe de l'Ouest en 1950 : la peur de la guerre, la peur de l'autre. Il faut leur proposer la même méthode : faites une union douanière, échangez, coopérez ! "Le pardon et la promesse", disait Hannah Arendt. Cela montre bien la noblesse de ces gens qui, il y a cinquante ans, ont imaginé un avenir de paix pour l'Europe
Tout est-il bloqué dans les institutions ?
Les choses continuent d'avancer au Parlement européen, qui a fait d'énormes progrès. A l'époque où je dirigeais la Commission européenne, j'ai bénéficié d'une coalition historique entre les sociaux-démocrates et les chrétiens-démocrates. Aujourd'hui, la social-démocratie, à laquelle j'appartiens, est minoritaire, la majorité est du côté du centre droit et des libéraux, dont certains prônent le libéralisme économique jusqu'aux extrêmes. Les socialistes européens mènent leur bataille politique, sans renoncer à arracher des avancées. Ainsi, ce Parlement a accompli un remarquable travail sur la directive Services et sur la directive Reach (vérification de l'innocuité de plusieurs milliers de produits chimiques), en parvenant à un compromis politique dynamique. Les partis politiques français ont beaucoup de mal à comprendre cette règle du jeu, parce qu'ils veulent une Europe à la française. Or on ne réussit pas dans ces conditions.
Tous les dirigeants français qui ont oeuvré positivement pour l'Europe, depuis les années 1950, pensaient que le rayonnement de la France, le maintien de son influence, passaient par la construction européenne. Cet élément essentiel, qui noue le patriotisme national avec la vocation européenne, a manqué cruellement ces dernières années. Nos partenaires aiment la France, mais celle qui dit "nous, les Européens", pas celle qui donne des coups de menton.
Que pensez-vous de la place de l'Europe dans la campagne présidentielle ?
Je suis déçu de la façon dont on en parle, pas besoin d'en dire plus. Pour la suite, il faudra d'abord faire le ménage chez nous, pour faire face au triple défi de la démographie, de la mondialisation et de la mutation technologique. Alors nous pourrons redevenir cette France ouverte, capable de propositions généreuses, audacieuses qui lui ont permis de marquer, depuis l'appel de Robert Schuman en 1950, l'histoire de l'Europe.
Président de la Commission européenne de janvier 1985 à janvier 1995. Ancien ministre de l'économie et des finances.
Propos recueillis par Henri de Bresson et Sophie Gherardi
Article paru dans l'édition du 25.03.07.
domingo, março 18, 2007
194) Grandes potencias, por Claudio Tellez
O idealismo não é para as grandes potências
Claudio Téllez, 18 de março de 2007
http://www.claudiotellez.org/
No dia 08 de janeiro de 1918, Thomas Woodrow Wilson, democrata, eleito presidente dos Estados Unidos da América em 1912 e reeleito em 1916 com uma retórica pacifista, apresentou ao congresso seus famosos Quatorze Pontos, nos quais delineou os princípios que deveriam orientar as relações internacionais para que todas as nações livres pudessem usufruir das vantagens da cooperação e da harmonização de interesses. Dentre esses pontos, podemos destacar a proposta de criação de uma sociedade de nações destinada a garantir a segurança da coletividade internacional, a independência política e a integridade territorial de todos os Estados.
Os Quatorze Pontos de Wilson, erigidos a partir dos valores da liberdade, da democracia, da auto-determinação dos povos e de um novo conceito de segurança – a segurança coletiva – representaram uma tentativa de institucionalização da paz para que, dentro desse marco institucional, as atividades comerciais e financeiras pudessem florescer livres do fantasma da guerra e os princípios fundamentais do liberalismo pudessem ser transplantados do interior das sociedades para as relações interestatais.
Apesar da Liga das Nações ter resultado do internacionalismo idealista do presidente Wilson, a própria sociedade norte-americana, representada pelo Senado, rejeitou a idéia de fazer parte de uma organização internacional destinada à institucionalização da paz e à resolução dos conflitos internacionais através da mediação. Devido à oposição do Senado dos Estados Unidos, o país não ingressou na Liga das Nações.
Já no final do século XIX os Estados Unidos eram a maior potência no âmbito regional das Américas. A sua intervenção militar na Europa foi decisiva para o resultado da Primeira Guerra Mundial e o país emergiu desse conflito com o status de maior credor líquido do mundo (posição ocupada, atualmente, pelo Japão). A nova situação dos Estados Unidos, no início do mundo moderno, significava, de imediato, que o país encontrava-se diante de novas responsabilidades para com o sistema internacional.
A partir do momento em que um Estado se torna uma grande potência, passa a ser um dos principais ordenadores do sistema internacional. Os Estados Unidos, no momento histórico do pós-Primeira Guerra Mundial, afirmavam-se perante o mundo como uma nova grande potência e não podiam, portanto, sacrificar parte de sua soberania abraçando um projeto idealista como a Liga das Nações. O idealismo não é para as grandes potências. Contudo, se os Estados Unidos não levaram adiante os ímpetos idealistas do presidente Wilson, tampouco assumiram plenamente a sua condição de grande potência e recusaram-se a tomar as rédeas do mundo.
Algumas lições aprendidas durante as turbulentas décadas do período compreendido entre as duas guerras mundiais conduziram a uma nova efervescência idealista no imediato pós-Segunda Guerra Mundial. Desta vez, os Estados Unidos tomaram a dianteira na reconstrução da ordem mundial. A Liga das Nações foi oficialmente dissolvida e a Organização das Nações Unidas (ONU) foi criada para facilitar a cooperação em temas de interesse multilateral e promover a manutenção da paz e da segurança internacional. Com o início das operações, logo após a Segunda Guerra Mundial, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BIRD), instituições do sistema de Bretton Woods para o gerenciamento econômico internacional, os Estados Unidos assumiram também o papel de estabilizador hegemônico da economia mundial (para usar a definição de Charles P. Kindleberger) através da instituição do padrão-ouro dólar.
A ONU, entretanto, não foi um projeto totalmente idealista. Devemos destacar uma significativa diferença estrutural entre a Liga das Nações e o sistema das Nações Unidas no tema da preservação da segurança internacional. Na Liga das Nações, a agressão foi considerada ilegal e os Estados concordavam com a arbitragem para a solução de seus conflitos, comprometendo-se a não recorrerem à guerra antes de três meses após o fracasso da arbitragem. Na ONU, a configuração do Conselho de Segurança não deixa de envolver o conceito de segurança coletiva que já estava presente nas propostas de Wilson, porém o Conselho também adota, através de seus membros permanentes, um modelo de equilíbrio de poder semelhante ao que funcionava no Concerto Europeu (1815 – 1914).
Após a Segunda Guerra Mundial, portanto, as grandes potências participaram de um empreendimento de caráter idealista, porém não abriram mão de uma orientação realista nas questões mais sensíveis da segurança internacional. Esse tempero realista, na configuração de uma instituição imaginada para representar a concretização de diversos sonhos idealistas, revela que as grandes potências não podem entregar-se ingenuamente à construção de utopias, fechando os olhos aos elementos que permeiam as relações e interações dentro do sistema internacional tal como percebidos pelo menos desde os tempos de Tucídides e a Guerra do Peloponeso, no século V a.C.
É claro que as relações comerciais e financeiras, e os intercâmbios científicos e culturais, visíveis na superfície das relações internacionais, podem realizar-se dentro de um marco institucional desenhado para promover o desenvolvimento multilateral e a cooperação. Intercâmbios, afinal de contas, são motivados pela possibilidade de ganhos mútuos e não seguem uma lógica de soma zero. Porém os interesses mais fundamentais das unidades políticas no sistema internacional, relacionados a questões como a segurança, a integridade territorial e a preservação da soberania e da independência, definem-se essencialmente em termos de poder, onde a desconfiança fala mais alto do que o desejo de cooperação e a lógica é de soma zero.
Todos os Estados lidam cotidianamente com interesses de diversas naturezas, porém as grandes potências detêm capacidades econômicas e militares que podem alterar a conformação do sistema internacional como um todo. Motivadas primordialmente pela sua necessidade de sobrevivência e como não podem ter certeza acerca das intenções dos outros Estados, suas ações no sistema internacional oscilam entre o impulso revisionista, que as motiva à luta pela posição hegemônica (benevolente ou não) e a necessidade de preservar a estabilidade do sistema.
Enquanto as pequenas e médias potências podem concentrar seus esforços nas práticas cooperativas, na busca da harmonia de interesses e no diálogo multilateral, as grandes potências devem manter-se na lógica da competição pelo poder e não se podem dar ao luxo de dedicar-se, em primeiro lugar, à construção de uma ordem internacional pacífica e cooperativa, por mais que a paz seja um valor ou objetivo universal. As ações das grandes potências devem partir do cálculo racional das conseqüências e não de princípios morais (ainda que eles sejam úteis para trabalhar com a opinião pública). A primazia da ética sobre a política não é para as grandes potências.
No cerne do idealismo, está a crença na capacidade da racionalidade humana para superar a armadilha do dilema da segurança. No cerne do realismo, temos a constante percepção da ameaça e a necessidade de lutar pela sobrevivência. Iniciativas idealistas possuem caráter prescritivo, priorizando a transformação ou adequação do real de acordo com princípios que têm fundamentação última axiológica e procurando transportar para as relações interestatais os princípios morais e os valores que inspiram e orientam as ações humanas no interior das sociedades. Já o realista pauta-se pelo referencial último, dado pela realidade, para identificar as linhas de ação mais adequadas para a preservação da integridade territorial e da soberania do Estado, o que em última instância garantirá a continuidade das interações sociais em seu interior.
Para as próximas décadas do século XXI, prevê-se a ascensão da Índia e da China ao status de grandes potências mundiais (nos âmbitos econômico e militar). Por mais que a sua força propulsora tenha sido principalmente a integração econômica mundial, acelerada a partir da intensificação do processo de globalização econômica desde o fim do sistema de Bretton Woods, elas terão que assumir a sua nova identidade e optar entre a tentativa de revisão da atual ordem internacional para a imposição de seus interesses particulares, ou a manutenção do equilíbrio internacional e do estado de coisas a partir do qual fortaleceram suas potencialidades. Quanto aos Estados Unidos, terão que lidar com uma realidade multipolar na qual a existência de hegemons potenciais será uma constante ameaça aos seus próprios interesses e à sua sobrevivência.
Quaisquer que sejam as escolhas das grandes potências do século XXI, o idealismo não será uma opção para elas.
--
Claudio Téllez
Vice President of Formation and Projects - CIEEP
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Personal Web Page: http://www.claudiotellez.org/
E-mail: ctellez@cieep.org.br / claudio@tellez.com
Claudio Téllez, 18 de março de 2007
http://www.claudiotellez.org/
No dia 08 de janeiro de 1918, Thomas Woodrow Wilson, democrata, eleito presidente dos Estados Unidos da América em 1912 e reeleito em 1916 com uma retórica pacifista, apresentou ao congresso seus famosos Quatorze Pontos, nos quais delineou os princípios que deveriam orientar as relações internacionais para que todas as nações livres pudessem usufruir das vantagens da cooperação e da harmonização de interesses. Dentre esses pontos, podemos destacar a proposta de criação de uma sociedade de nações destinada a garantir a segurança da coletividade internacional, a independência política e a integridade territorial de todos os Estados.
Os Quatorze Pontos de Wilson, erigidos a partir dos valores da liberdade, da democracia, da auto-determinação dos povos e de um novo conceito de segurança – a segurança coletiva – representaram uma tentativa de institucionalização da paz para que, dentro desse marco institucional, as atividades comerciais e financeiras pudessem florescer livres do fantasma da guerra e os princípios fundamentais do liberalismo pudessem ser transplantados do interior das sociedades para as relações interestatais.
Apesar da Liga das Nações ter resultado do internacionalismo idealista do presidente Wilson, a própria sociedade norte-americana, representada pelo Senado, rejeitou a idéia de fazer parte de uma organização internacional destinada à institucionalização da paz e à resolução dos conflitos internacionais através da mediação. Devido à oposição do Senado dos Estados Unidos, o país não ingressou na Liga das Nações.
Já no final do século XIX os Estados Unidos eram a maior potência no âmbito regional das Américas. A sua intervenção militar na Europa foi decisiva para o resultado da Primeira Guerra Mundial e o país emergiu desse conflito com o status de maior credor líquido do mundo (posição ocupada, atualmente, pelo Japão). A nova situação dos Estados Unidos, no início do mundo moderno, significava, de imediato, que o país encontrava-se diante de novas responsabilidades para com o sistema internacional.
A partir do momento em que um Estado se torna uma grande potência, passa a ser um dos principais ordenadores do sistema internacional. Os Estados Unidos, no momento histórico do pós-Primeira Guerra Mundial, afirmavam-se perante o mundo como uma nova grande potência e não podiam, portanto, sacrificar parte de sua soberania abraçando um projeto idealista como a Liga das Nações. O idealismo não é para as grandes potências. Contudo, se os Estados Unidos não levaram adiante os ímpetos idealistas do presidente Wilson, tampouco assumiram plenamente a sua condição de grande potência e recusaram-se a tomar as rédeas do mundo.
Algumas lições aprendidas durante as turbulentas décadas do período compreendido entre as duas guerras mundiais conduziram a uma nova efervescência idealista no imediato pós-Segunda Guerra Mundial. Desta vez, os Estados Unidos tomaram a dianteira na reconstrução da ordem mundial. A Liga das Nações foi oficialmente dissolvida e a Organização das Nações Unidas (ONU) foi criada para facilitar a cooperação em temas de interesse multilateral e promover a manutenção da paz e da segurança internacional. Com o início das operações, logo após a Segunda Guerra Mundial, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BIRD), instituições do sistema de Bretton Woods para o gerenciamento econômico internacional, os Estados Unidos assumiram também o papel de estabilizador hegemônico da economia mundial (para usar a definição de Charles P. Kindleberger) através da instituição do padrão-ouro dólar.
A ONU, entretanto, não foi um projeto totalmente idealista. Devemos destacar uma significativa diferença estrutural entre a Liga das Nações e o sistema das Nações Unidas no tema da preservação da segurança internacional. Na Liga das Nações, a agressão foi considerada ilegal e os Estados concordavam com a arbitragem para a solução de seus conflitos, comprometendo-se a não recorrerem à guerra antes de três meses após o fracasso da arbitragem. Na ONU, a configuração do Conselho de Segurança não deixa de envolver o conceito de segurança coletiva que já estava presente nas propostas de Wilson, porém o Conselho também adota, através de seus membros permanentes, um modelo de equilíbrio de poder semelhante ao que funcionava no Concerto Europeu (1815 – 1914).
Após a Segunda Guerra Mundial, portanto, as grandes potências participaram de um empreendimento de caráter idealista, porém não abriram mão de uma orientação realista nas questões mais sensíveis da segurança internacional. Esse tempero realista, na configuração de uma instituição imaginada para representar a concretização de diversos sonhos idealistas, revela que as grandes potências não podem entregar-se ingenuamente à construção de utopias, fechando os olhos aos elementos que permeiam as relações e interações dentro do sistema internacional tal como percebidos pelo menos desde os tempos de Tucídides e a Guerra do Peloponeso, no século V a.C.
É claro que as relações comerciais e financeiras, e os intercâmbios científicos e culturais, visíveis na superfície das relações internacionais, podem realizar-se dentro de um marco institucional desenhado para promover o desenvolvimento multilateral e a cooperação. Intercâmbios, afinal de contas, são motivados pela possibilidade de ganhos mútuos e não seguem uma lógica de soma zero. Porém os interesses mais fundamentais das unidades políticas no sistema internacional, relacionados a questões como a segurança, a integridade territorial e a preservação da soberania e da independência, definem-se essencialmente em termos de poder, onde a desconfiança fala mais alto do que o desejo de cooperação e a lógica é de soma zero.
Todos os Estados lidam cotidianamente com interesses de diversas naturezas, porém as grandes potências detêm capacidades econômicas e militares que podem alterar a conformação do sistema internacional como um todo. Motivadas primordialmente pela sua necessidade de sobrevivência e como não podem ter certeza acerca das intenções dos outros Estados, suas ações no sistema internacional oscilam entre o impulso revisionista, que as motiva à luta pela posição hegemônica (benevolente ou não) e a necessidade de preservar a estabilidade do sistema.
Enquanto as pequenas e médias potências podem concentrar seus esforços nas práticas cooperativas, na busca da harmonia de interesses e no diálogo multilateral, as grandes potências devem manter-se na lógica da competição pelo poder e não se podem dar ao luxo de dedicar-se, em primeiro lugar, à construção de uma ordem internacional pacífica e cooperativa, por mais que a paz seja um valor ou objetivo universal. As ações das grandes potências devem partir do cálculo racional das conseqüências e não de princípios morais (ainda que eles sejam úteis para trabalhar com a opinião pública). A primazia da ética sobre a política não é para as grandes potências.
No cerne do idealismo, está a crença na capacidade da racionalidade humana para superar a armadilha do dilema da segurança. No cerne do realismo, temos a constante percepção da ameaça e a necessidade de lutar pela sobrevivência. Iniciativas idealistas possuem caráter prescritivo, priorizando a transformação ou adequação do real de acordo com princípios que têm fundamentação última axiológica e procurando transportar para as relações interestatais os princípios morais e os valores que inspiram e orientam as ações humanas no interior das sociedades. Já o realista pauta-se pelo referencial último, dado pela realidade, para identificar as linhas de ação mais adequadas para a preservação da integridade territorial e da soberania do Estado, o que em última instância garantirá a continuidade das interações sociais em seu interior.
Para as próximas décadas do século XXI, prevê-se a ascensão da Índia e da China ao status de grandes potências mundiais (nos âmbitos econômico e militar). Por mais que a sua força propulsora tenha sido principalmente a integração econômica mundial, acelerada a partir da intensificação do processo de globalização econômica desde o fim do sistema de Bretton Woods, elas terão que assumir a sua nova identidade e optar entre a tentativa de revisão da atual ordem internacional para a imposição de seus interesses particulares, ou a manutenção do equilíbrio internacional e do estado de coisas a partir do qual fortaleceram suas potencialidades. Quanto aos Estados Unidos, terão que lidar com uma realidade multipolar na qual a existência de hegemons potenciais será uma constante ameaça aos seus próprios interesses e à sua sobrevivência.
Quaisquer que sejam as escolhas das grandes potências do século XXI, o idealismo não será uma opção para elas.
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sábado, março 17, 2007
193) Zeitgeist: o espirito dos tempos
Sem qualquer pretensão a explicar o que anda acontecendo no Brasil, apenas transcrevo os materiais abaixo (recebidos, como tantos outros, pela internet, de fontes aparentemente idôneas), sobre o que anda acontecendo no Brasil de hoje, sem nenhum tipo de comentário.
PRA, 17/03/2007.
COMO EU SOU BOBO
Eduardo Bohrer*
Acabei de ler o artigo "Valeu a pena", de Christina Fontenelle e fiquei a pensar: "Como eu sou bobo. Como eu me deixei enrolar por esse camarada."
Talvez por ser distraído, por não ser suficientemente atento ou até mesmo (a opção mais provável) por deficiência intelectual e cognitiva... ou todas essas opções juntas.
O fato é que passei batido durante muito tempo. Ouvia os comentários desse sujeito na Globo e não me dava conta de que ele não dizia nada, não era assertivo, ficava enrolando, recontava o óbvio. Seus "comentários" de comentários não tinham nada. Eram mais do tipo "não me comprometa", bordão do personagem de um antigo programa humorístico da TV.
E aí seguia eu, provavelmente como mais milhões de telespectadores brasileiros, na pretensiosa ilusão de que era um cidadão "bem informado", sendo enganado e enrolado por um comentarista que não comentava nada.
Sou obrigado a tirar o chapéu, o sujeito é mesmo um baita de um artista, melhor do que muito ator de novela da mesma emissora.
Só fui me dar conta de como eu estava sendo burro e pretensioso quando o (sempre brilhante) Diogo Mainardi escreveu uma coluna para a Veja elertando para esse espetacular talento do doublé de jornalista e ator.
Confesso que foi com raiva de mim mesmo que, a partir daquele dia, ABSOLUTAMENTE EM TODOS os comentários do nosso novo superministro (só não vou compará-lo a Goebbels porque ele pode querer me processar e eu não tenho dinheiro para pagar advogado), repito, EM TODOS os seus comentários, percebi como era óbvio que ele não comentava nada. Estava sempre passando panos quentes nosa crimes cometidos por agentes e aliados do governo que ele não queria criticar de forma alguma.
Seus comentários eram inóquos, não cheiravam nem fediam. Mais uma vez, talvez para tentar ser indulgente com a minha burrice, louvo o talento de ator do tal jornalista. Agradeço ao Mainardi por ter me alertado.
Quando o Sr. Martins foi dispensado da Globo (até hoje ninguém me contou por que) e foi para a Bandeirantes, que agora pertence mais ao Lulionha do que aos Saad, comecei a entender melhor as coisas.
Com sua nomeação para Superministro da Comunicação (ah, se não fosse o medo do processo... não dá para não pensar em Goebbels) o círculo se fecha. Até um ingênuo, distraído e burrinho como eu é capaz de entender direitinho como isso acontece.
Mas tudo bem. No Brasil quase não existe TV. Pouquíssimas casas têm aparelho de TV, quase não há emissora nenhuma, realmente é necessário que o amoroso e benevolente governo supra essa lacuna enorme. Então, que se gaste o nosso dinheiro na tal TV do Executivo. Tam muito jornalista competente como o Sr. Franklin Martins precisando de emprego.
Podemos ficar descansados, o governo já avisou que a TV será democrática e poderá até mesmo criticar o governo, DESDE QUE A CRÍTICA SEJA CORRETA, naturalmente.
Ah, como eu sou bobo...
Eduardo Belmonte de Athayde Bohrer, 56, Consultor Organizacional e Professor, mora em Brasília - DF
é autorizada a reprodução, desde que o texto não seja alterado e que seja mantida a identificação do autor.
A seguir, o artigo da Christina Fontenelle que inspirou o desabafo.
VALEU A PENA
Christina Fontenelle
Eu não conheço pessoalmente o jornalista Franklin Martins. Tudo que sei sobre ele é o que sai na mídia e o que na mesma o vejo fazer, dizer e escrever. E é com base no que leio e vejo que, pelo menos para mim, ele está muito mais para militante partidário do que para jornalista – o que, em minha opinião, são ocupações antagônicas, por motivos éticos óbvios. Diga-se de passagem e faça-se justiça, Franklin não é o único. Não que uma pessoa com formação jornalística não possa ser um militante de carteirinha. Pode e, se achar que deve, deve mesmo. O problema é deixar isso bem claro. Como? Há mil e uma maneiras, mas, um bom começo, é não exercer o cargo de comentarista político em mídias que dizem estar fazendo jornalismo e não militância. Fazer parte da assessoria de imprensa de um partido pode, por exemplo. Mas, isso não é nem revolucionário nem gramsciniano, é?
O pai de FM, Mario Martins, foi jornalista e político – vereador, deputado federal e senador cassado pelo AI-5. Foi justamente depois do AI-5 que Franklin, segundo suas próprias palavras, chegou "à conclusão de que não havia outro caminho senão o de enfrentar a ditadura de armas na mão ". E foi exatamente o que ele fez. Entre outras coisas, em setembro de 1969, participou do grupo que seqüestrou o embaixador americano Charles B. Elbrick para forçar o governo a libertar 15 presos políticos. Foi o próprio Franklin quem redigiu o manifesto dos seqüestradores , do qual destaco as seguintes partes: 1) "Este ato não é um episódio isolado. Ele se soma aos inúmeros atos revolucionários já levados a cabo: assaltos a bancos, nos quais se arrecadam fundos para a revolução, tomando de volta o que os banqueiros tomam do povo e de seus empregados; ocupação de quartéis e delegacias, onde se conseguem armas e munições para a luta pela derrubada da ditadura; invasões de presídios, quando se libertam revolucionários, para devolvê-los à luta do povo; explosões de prédios que simbolizam a opressão; e o justiçamento de carrascos e torturadores "; e 2) "A vida e a morte do Sr. embaixador estão nas mãos da ditadura. Se ela atender a duas exigências, o Sr. Burke Elbrick será libertado. Caso contrário, seremos obrigados a cumprir a justiça revolucionária ".
Como se pode constatar o que os revolucionários queriam era mesmo a revolução comunista e não a democracia pela qual, falsamente, hoje, dizem ter lutado. Ditadores, para eles, eram os que combatiam os comunistas. O detalhe é que a "ditadura" só se instalou porque, antes dela, havia comunistas querendo tomar o país. Até hoje tem gente que acredita no contrário. Mas, isso não vem ao caso, agora.
Voltando ao nosso personagem, FM foi para Cuba, para fazer curso de guerrilha rural. De lá, foi para o Chile de Salvador Allende. Voltou para o Brasil e trabalhou para o movimento revolucionário na clandestinidade. Em 1974, auto exilou-se na França (sabem quanto custa isso em dólares? Haja trabalho clandestino, hein?) onde se diplomou na École des Hautes Études en Sciences Sociales, da Universidade de Paris. Voltou para o Brasil em 1977 e passou mais dois anos na clandestinidade até "aparecer" em 1979, quando foi anistiado. Foi durante esse período de dois anos que conheceu a militante Ivanisa Teitelroit, uma psicóloga com quem se casou e com quem, posteriormente, teve dois filhos.
De 1979 para cá, trabalhou no jornal Hora do Povo, candidatou-se a deputado (não foi eleito), foi repórter do "Indicador Rural", redator do Globo e do Jornal do Brasil. Em 1987, mudou-se para Brasília, onde foi repórter e depois coordenador político da sucursal do JB. Foi correspondente do JB, em Londres. Trabalhou também no no SBT e no Estado de São Paulo. De volta ao Globo, foi repórter especial, colunista político, editor de política e diretor da sucursal de Brasília. Escreveu colunas para o Jornal de Brasília e para as revistas "República" e "Época". Durante oito anos e meio esteve na TV Globo, na Globonews e na CBN, como comentarista político. Atualmente, Franklin Martins é comentarista da TV e da Rádio Bandeirantes e assina uma coluna diária no portal iG.
Ainda na TV Globo, como comentarista político, não conseguiu disfarçar a raiva e o medo de ter "morrido na praia" (ele e o PT) quando estouraram os escândalos do mensalão e de todos os outros crimes cometidos pela turma do PT e pelos vendidos ao partidão. Defendeu até o fim a tese de que "Lula não sabia", não só do tal mensalão mas também de todo o resto. Não que tenha feito isso aberta e claramente, mas sempre bateu na tecla de que não havia provas concretas. Realmente, para quem acha que prova concreta limita-se à confissão assinada e sacramentada, não havia nenhuma mesmo, apesar da exuberância esclarecedora dos fatos – contra os quais não havia argumentos antes dos marxistas tomarem conta de tudo nesse país. Em entrevista à revista Carta Maior , em 14/06/06, Franklin disse o seguinte sobre essa estórida de se Lula sabia ou não sabia: "Olha, nesse caso, eu uso o exemplo do pai que pergunta para a mãe sobre a filha. A mãe responde: "Ela está com o namorado, trancada no quarto, há horas, e não quer sair". O pai sabe exatamente o que se passa lá dentro? Não, mas pode supor. Com Lula aconteceu parecido ..."
Na verdade, até bem pouco tempo atrás, FM nunca fez muita questão de disfarçar a sua, digamos, "simpatia" pelo PT. Depois dos escândalos, teve de se controlar. Mas, com a consagração da vitória dos revolucionários gramscinianos sobre a realidade, sobre a justiça e sobre a razão, aos poucos, de emprego novo e aliviado, o sorriso e a postura de "comentarista" bem relacionado foram voltando ao corpo de Franklin.
O comentarista trocou as Organizações Roberto Marinho pela Rede Bandeirantes depois que a Globo não renovou seu contrato. Não passou nenhum dia desempregado. A Band é proprietária da Rede 21, que passou a se chamar PlayTV depois que Fábio Luiz da Silva — o Lulinha - filho de Lula — assumiu o controle de quase toda a programação. Muitos dizem que Franklin deixou a Globo por causa de um "duelo público" entre o jornalista global e o colega de profissão Diogo Mainardi, colunista da revista Veja. Mainardi deu notoriedade ao irmão e à irmã de Franklin, Victor e Maria Paula Martins, ambos, respectivamente, designados pelo atual governo para a Agência Nacional do Petróleo e para a diretoria da estatal capixaba que regula o setor do gás, a Aspe. A mulher de FM, funcionária pública há mais de 20 anos, foi secretária parlamentar do líder petista Aloizio Mercadante e, depois, passou a trabalhar numa subsecretaria do Ministério do Planejamento. De acordo com Mainardi, o sobrenome Martins pesou nas nomeações. De acordo com Franklin, não pesou.
Mas, o pior mesmo, foi a divulgação de uma estorinha que circulava entre jornalistas. Mainardi diz que possui muitas fontes e que pelo menos 15 delas poderiam confirmar a estória de que Franklin Martins teria avisado ao ex-ministro Antônio Palocci de que o caseiro Francenildo teria recebido dinheiro para fazer a denúncia sobre a presença constante do ministro na "casa da maracutaia", em Brasília. Quem poderia saber que o caseiro havia recebido dinheiro senão quem tivesse tido acesso aos dados de sua conta-corrente na CEF. O fato é que deve ser difícil ser um jornalista imparcial com tantos parentes trabalhando no governo. Ou não?
Martins chamou Mainardi de golpista por pedir o impeachment de Lula. Num outro trecho da entrevista que concedeu à revista Carta Maior, disse o seguinte sobre a comparação entre a situação em que se pediu o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Melo: " Não existia no governo uma espécie de comitê central da corrupção, como havia no governo Collor. Cada um foi fazer sua jogada particular. As divisões internas ao governo impediram que vários negócios desse tipo prosperassem. Havia sim uma quadrilha, mas não o mensalão, entendido como pagamento regular a determinados parlamentares. Houve compra de apoio político de chefes partidários, através de doações clandestinas a gente como Valdemar da Costa Neto e José Janene, que ficaram com o dinheiro. Para onde foram esses recursos, eu não sei ". Vejam como são as coisas... Para mim, é justamente o contrário. Mas, eu não sou "uma conceituada comentarista política".
O surrealisticamente reeleito presidente Lula está formando seu ministério para o novo mandato. Vai criar o Ministério da Comunicação Social e, aos moldes do que já fez o companheiro Hugo Chavez, na Venezuela, vai criar a super TV Estatal digital. Franklin Martins, pelo que tem sido divulgado, vai assumir a pasta da Comunicação Social. Se aceitar o cargo, Martins deixa a BAND para chefiar um ministério com super-poderes e verbas publicitárias que chegam a 1,5 bilhão de reais por ano. Sob o novo ministério ficarão a Radiobrás (e a futura rede estatal de televisão (*)); a Secom; a secretaria de Imprensa da presidência da República e as verbas publicitárias do governo. A propósito, nosso futuro ministro não poderá colocar os pés nos EUA – por causa de sua participação no seqüestro do embaixador americano em 1969.
Tem gente que nega. Nega veementemente, peremptoriamente, como gostam de dizer os petistas. Mas, a imprensa e a mídia de um modo geral (e, é claro, os profissionais que nela trabalham) ficam numa posição um tanto quanto desconfortável diante dos mais variados tipo de perseguição que podem sofrer, não somente os veículos de comunicação mas também quem neles anuncie. Há uma lista infindável de exemplos na história recente do país. Vou citar o último deles. Diogo Mainardi está sendo processado por se referir ao nordeste como "bandas de lá" e por dizer não querer pisar em Cuiabá. Manifestar gosto e vontade está ficando perigoso e cada vez mais caro – o que quer que se diga poderá ser interpretado como manifestação preconceituosa passível de punição. Mas, como sempre, e como não poderia deixar de ser, Reinaldo Azevedo descreve e analisa muito bem o fato . Eu fecho com seus comentários sobre o assunto.
Franklin Martins finalmente chega ao governo e ao poder, de fato. Tentou fazer isso através da revolução comunista armada. Não conseguiu. Tentou eleger-se deputado. Não conseguiu. Agora, a recompensa. Num país onde a realidade e a verdade vêm sendo sistematicamente ignoradas e subjugadas pela mentira meticulosa e insistentemente construída a partir de uma revolução gramsciniana que se desenvolve há mais de 20 anos, não só tem valido a pena esperar como também pagar o preço. Para quem os fins justificam os meios, aliás, não há o quê nem pelo quê não se possa pagar. Preço maior tem pago mesmo é a democracia brasileira, para a qual coisas como essa significam a consumação da derrota.
Christina Fontenelle
E-MAIL: Chrisfontell@gmail.com
BLOG/artigos: http://infomix-cf.blogspot.com/
BLOG/Série CAI O PANO: http://christina-fontenelle.blogspot.com/
BLOG/opinião: http://infomix2.blogspot.com/
(*) A Rede Nacional de Televisão Estatal deve consumir R$250 milhões de recursos orçamentários nos próximos quatro anos. O projeto, destinado a divulgar ações governamentais, entra em choque com propostas em discussão no Congresso que sugerem a restrição dos gastos com propaganda. "Temo que o destino dessa rede seja se tornar uma TV Lula. É um despropósito"... "Pela proposta colocada, o governo quer uma TV de louvação e não de informação", critica o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) que integra a oposição ao governo e promete resistir à proposta. "Nem o Congresso nem a sociedade têm instrumentos para fiscalizar a programação de uma super-rede como essa que o governo planeja", acrescenta o vice-líder do PFL, José Carlos Aleluia (BA).
--
Christina Fontenelle
E-MAIL: Chrisfontell@gmail.com
BLOG/artigos: http://infomix-cf.blogspot.com/
BLOG/Série CAI O PANO: http://christina-fontenelle.blogspot.com/
BLOG/Nossa VOZ: http://infomix2.blogspot.com/
ATENÇÃO: Ao receber resposta, você estará automaticamente na minha lista de correspondência. Caso não queira fazer parte desta lista, envie e-mail solicitando a retirada do seu nome.
PRA, 17/03/2007.
COMO EU SOU BOBO
Eduardo Bohrer*
Acabei de ler o artigo "Valeu a pena", de Christina Fontenelle e fiquei a pensar: "Como eu sou bobo. Como eu me deixei enrolar por esse camarada."
Talvez por ser distraído, por não ser suficientemente atento ou até mesmo (a opção mais provável) por deficiência intelectual e cognitiva... ou todas essas opções juntas.
O fato é que passei batido durante muito tempo. Ouvia os comentários desse sujeito na Globo e não me dava conta de que ele não dizia nada, não era assertivo, ficava enrolando, recontava o óbvio. Seus "comentários" de comentários não tinham nada. Eram mais do tipo "não me comprometa", bordão do personagem de um antigo programa humorístico da TV.
E aí seguia eu, provavelmente como mais milhões de telespectadores brasileiros, na pretensiosa ilusão de que era um cidadão "bem informado", sendo enganado e enrolado por um comentarista que não comentava nada.
Sou obrigado a tirar o chapéu, o sujeito é mesmo um baita de um artista, melhor do que muito ator de novela da mesma emissora.
Só fui me dar conta de como eu estava sendo burro e pretensioso quando o (sempre brilhante) Diogo Mainardi escreveu uma coluna para a Veja elertando para esse espetacular talento do doublé de jornalista e ator.
Confesso que foi com raiva de mim mesmo que, a partir daquele dia, ABSOLUTAMENTE EM TODOS os comentários do nosso novo superministro (só não vou compará-lo a Goebbels porque ele pode querer me processar e eu não tenho dinheiro para pagar advogado), repito, EM TODOS os seus comentários, percebi como era óbvio que ele não comentava nada. Estava sempre passando panos quentes nosa crimes cometidos por agentes e aliados do governo que ele não queria criticar de forma alguma.
Seus comentários eram inóquos, não cheiravam nem fediam. Mais uma vez, talvez para tentar ser indulgente com a minha burrice, louvo o talento de ator do tal jornalista. Agradeço ao Mainardi por ter me alertado.
Quando o Sr. Martins foi dispensado da Globo (até hoje ninguém me contou por que) e foi para a Bandeirantes, que agora pertence mais ao Lulionha do que aos Saad, comecei a entender melhor as coisas.
Com sua nomeação para Superministro da Comunicação (ah, se não fosse o medo do processo... não dá para não pensar em Goebbels) o círculo se fecha. Até um ingênuo, distraído e burrinho como eu é capaz de entender direitinho como isso acontece.
Mas tudo bem. No Brasil quase não existe TV. Pouquíssimas casas têm aparelho de TV, quase não há emissora nenhuma, realmente é necessário que o amoroso e benevolente governo supra essa lacuna enorme. Então, que se gaste o nosso dinheiro na tal TV do Executivo. Tam muito jornalista competente como o Sr. Franklin Martins precisando de emprego.
Podemos ficar descansados, o governo já avisou que a TV será democrática e poderá até mesmo criticar o governo, DESDE QUE A CRÍTICA SEJA CORRETA, naturalmente.
Ah, como eu sou bobo...
Eduardo Belmonte de Athayde Bohrer, 56, Consultor Organizacional e Professor, mora em Brasília - DF
é autorizada a reprodução, desde que o texto não seja alterado e que seja mantida a identificação do autor.
A seguir, o artigo da Christina Fontenelle que inspirou o desabafo.
VALEU A PENA
Christina Fontenelle
Eu não conheço pessoalmente o jornalista Franklin Martins. Tudo que sei sobre ele é o que sai na mídia e o que na mesma o vejo fazer, dizer e escrever. E é com base no que leio e vejo que, pelo menos para mim, ele está muito mais para militante partidário do que para jornalista – o que, em minha opinião, são ocupações antagônicas, por motivos éticos óbvios. Diga-se de passagem e faça-se justiça, Franklin não é o único. Não que uma pessoa com formação jornalística não possa ser um militante de carteirinha. Pode e, se achar que deve, deve mesmo. O problema é deixar isso bem claro. Como? Há mil e uma maneiras, mas, um bom começo, é não exercer o cargo de comentarista político em mídias que dizem estar fazendo jornalismo e não militância. Fazer parte da assessoria de imprensa de um partido pode, por exemplo. Mas, isso não é nem revolucionário nem gramsciniano, é?
O pai de FM, Mario Martins, foi jornalista e político – vereador, deputado federal e senador cassado pelo AI-5. Foi justamente depois do AI-5 que Franklin, segundo suas próprias palavras, chegou "à conclusão de que não havia outro caminho senão o de enfrentar a ditadura de armas na mão ". E foi exatamente o que ele fez. Entre outras coisas, em setembro de 1969, participou do grupo que seqüestrou o embaixador americano Charles B. Elbrick para forçar o governo a libertar 15 presos políticos. Foi o próprio Franklin quem redigiu o manifesto dos seqüestradores , do qual destaco as seguintes partes: 1) "Este ato não é um episódio isolado. Ele se soma aos inúmeros atos revolucionários já levados a cabo: assaltos a bancos, nos quais se arrecadam fundos para a revolução, tomando de volta o que os banqueiros tomam do povo e de seus empregados; ocupação de quartéis e delegacias, onde se conseguem armas e munições para a luta pela derrubada da ditadura; invasões de presídios, quando se libertam revolucionários, para devolvê-los à luta do povo; explosões de prédios que simbolizam a opressão; e o justiçamento de carrascos e torturadores "; e 2) "A vida e a morte do Sr. embaixador estão nas mãos da ditadura. Se ela atender a duas exigências, o Sr. Burke Elbrick será libertado. Caso contrário, seremos obrigados a cumprir a justiça revolucionária ".
Como se pode constatar o que os revolucionários queriam era mesmo a revolução comunista e não a democracia pela qual, falsamente, hoje, dizem ter lutado. Ditadores, para eles, eram os que combatiam os comunistas. O detalhe é que a "ditadura" só se instalou porque, antes dela, havia comunistas querendo tomar o país. Até hoje tem gente que acredita no contrário. Mas, isso não vem ao caso, agora.
Voltando ao nosso personagem, FM foi para Cuba, para fazer curso de guerrilha rural. De lá, foi para o Chile de Salvador Allende. Voltou para o Brasil e trabalhou para o movimento revolucionário na clandestinidade. Em 1974, auto exilou-se na França (sabem quanto custa isso em dólares? Haja trabalho clandestino, hein?) onde se diplomou na École des Hautes Études en Sciences Sociales, da Universidade de Paris. Voltou para o Brasil em 1977 e passou mais dois anos na clandestinidade até "aparecer" em 1979, quando foi anistiado. Foi durante esse período de dois anos que conheceu a militante Ivanisa Teitelroit, uma psicóloga com quem se casou e com quem, posteriormente, teve dois filhos.
De 1979 para cá, trabalhou no jornal Hora do Povo, candidatou-se a deputado (não foi eleito), foi repórter do "Indicador Rural", redator do Globo e do Jornal do Brasil. Em 1987, mudou-se para Brasília, onde foi repórter e depois coordenador político da sucursal do JB. Foi correspondente do JB, em Londres. Trabalhou também no no SBT e no Estado de São Paulo. De volta ao Globo, foi repórter especial, colunista político, editor de política e diretor da sucursal de Brasília. Escreveu colunas para o Jornal de Brasília e para as revistas "República" e "Época". Durante oito anos e meio esteve na TV Globo, na Globonews e na CBN, como comentarista político. Atualmente, Franklin Martins é comentarista da TV e da Rádio Bandeirantes e assina uma coluna diária no portal iG.
Ainda na TV Globo, como comentarista político, não conseguiu disfarçar a raiva e o medo de ter "morrido na praia" (ele e o PT) quando estouraram os escândalos do mensalão e de todos os outros crimes cometidos pela turma do PT e pelos vendidos ao partidão. Defendeu até o fim a tese de que "Lula não sabia", não só do tal mensalão mas também de todo o resto. Não que tenha feito isso aberta e claramente, mas sempre bateu na tecla de que não havia provas concretas. Realmente, para quem acha que prova concreta limita-se à confissão assinada e sacramentada, não havia nenhuma mesmo, apesar da exuberância esclarecedora dos fatos – contra os quais não havia argumentos antes dos marxistas tomarem conta de tudo nesse país. Em entrevista à revista Carta Maior , em 14/06/06, Franklin disse o seguinte sobre essa estórida de se Lula sabia ou não sabia: "Olha, nesse caso, eu uso o exemplo do pai que pergunta para a mãe sobre a filha. A mãe responde: "Ela está com o namorado, trancada no quarto, há horas, e não quer sair". O pai sabe exatamente o que se passa lá dentro? Não, mas pode supor. Com Lula aconteceu parecido ..."
Na verdade, até bem pouco tempo atrás, FM nunca fez muita questão de disfarçar a sua, digamos, "simpatia" pelo PT. Depois dos escândalos, teve de se controlar. Mas, com a consagração da vitória dos revolucionários gramscinianos sobre a realidade, sobre a justiça e sobre a razão, aos poucos, de emprego novo e aliviado, o sorriso e a postura de "comentarista" bem relacionado foram voltando ao corpo de Franklin.
O comentarista trocou as Organizações Roberto Marinho pela Rede Bandeirantes depois que a Globo não renovou seu contrato. Não passou nenhum dia desempregado. A Band é proprietária da Rede 21, que passou a se chamar PlayTV depois que Fábio Luiz da Silva — o Lulinha - filho de Lula — assumiu o controle de quase toda a programação. Muitos dizem que Franklin deixou a Globo por causa de um "duelo público" entre o jornalista global e o colega de profissão Diogo Mainardi, colunista da revista Veja. Mainardi deu notoriedade ao irmão e à irmã de Franklin, Victor e Maria Paula Martins, ambos, respectivamente, designados pelo atual governo para a Agência Nacional do Petróleo e para a diretoria da estatal capixaba que regula o setor do gás, a Aspe. A mulher de FM, funcionária pública há mais de 20 anos, foi secretária parlamentar do líder petista Aloizio Mercadante e, depois, passou a trabalhar numa subsecretaria do Ministério do Planejamento. De acordo com Mainardi, o sobrenome Martins pesou nas nomeações. De acordo com Franklin, não pesou.
Mas, o pior mesmo, foi a divulgação de uma estorinha que circulava entre jornalistas. Mainardi diz que possui muitas fontes e que pelo menos 15 delas poderiam confirmar a estória de que Franklin Martins teria avisado ao ex-ministro Antônio Palocci de que o caseiro Francenildo teria recebido dinheiro para fazer a denúncia sobre a presença constante do ministro na "casa da maracutaia", em Brasília. Quem poderia saber que o caseiro havia recebido dinheiro senão quem tivesse tido acesso aos dados de sua conta-corrente na CEF. O fato é que deve ser difícil ser um jornalista imparcial com tantos parentes trabalhando no governo. Ou não?
Martins chamou Mainardi de golpista por pedir o impeachment de Lula. Num outro trecho da entrevista que concedeu à revista Carta Maior, disse o seguinte sobre a comparação entre a situação em que se pediu o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Melo: " Não existia no governo uma espécie de comitê central da corrupção, como havia no governo Collor. Cada um foi fazer sua jogada particular. As divisões internas ao governo impediram que vários negócios desse tipo prosperassem. Havia sim uma quadrilha, mas não o mensalão, entendido como pagamento regular a determinados parlamentares. Houve compra de apoio político de chefes partidários, através de doações clandestinas a gente como Valdemar da Costa Neto e José Janene, que ficaram com o dinheiro. Para onde foram esses recursos, eu não sei ". Vejam como são as coisas... Para mim, é justamente o contrário. Mas, eu não sou "uma conceituada comentarista política".
O surrealisticamente reeleito presidente Lula está formando seu ministério para o novo mandato. Vai criar o Ministério da Comunicação Social e, aos moldes do que já fez o companheiro Hugo Chavez, na Venezuela, vai criar a super TV Estatal digital. Franklin Martins, pelo que tem sido divulgado, vai assumir a pasta da Comunicação Social. Se aceitar o cargo, Martins deixa a BAND para chefiar um ministério com super-poderes e verbas publicitárias que chegam a 1,5 bilhão de reais por ano. Sob o novo ministério ficarão a Radiobrás (e a futura rede estatal de televisão (*)); a Secom; a secretaria de Imprensa da presidência da República e as verbas publicitárias do governo. A propósito, nosso futuro ministro não poderá colocar os pés nos EUA – por causa de sua participação no seqüestro do embaixador americano em 1969.
Tem gente que nega. Nega veementemente, peremptoriamente, como gostam de dizer os petistas. Mas, a imprensa e a mídia de um modo geral (e, é claro, os profissionais que nela trabalham) ficam numa posição um tanto quanto desconfortável diante dos mais variados tipo de perseguição que podem sofrer, não somente os veículos de comunicação mas também quem neles anuncie. Há uma lista infindável de exemplos na história recente do país. Vou citar o último deles. Diogo Mainardi está sendo processado por se referir ao nordeste como "bandas de lá" e por dizer não querer pisar em Cuiabá. Manifestar gosto e vontade está ficando perigoso e cada vez mais caro – o que quer que se diga poderá ser interpretado como manifestação preconceituosa passível de punição. Mas, como sempre, e como não poderia deixar de ser, Reinaldo Azevedo descreve e analisa muito bem o fato . Eu fecho com seus comentários sobre o assunto.
Franklin Martins finalmente chega ao governo e ao poder, de fato. Tentou fazer isso através da revolução comunista armada. Não conseguiu. Tentou eleger-se deputado. Não conseguiu. Agora, a recompensa. Num país onde a realidade e a verdade vêm sendo sistematicamente ignoradas e subjugadas pela mentira meticulosa e insistentemente construída a partir de uma revolução gramsciniana que se desenvolve há mais de 20 anos, não só tem valido a pena esperar como também pagar o preço. Para quem os fins justificam os meios, aliás, não há o quê nem pelo quê não se possa pagar. Preço maior tem pago mesmo é a democracia brasileira, para a qual coisas como essa significam a consumação da derrota.
Christina Fontenelle
E-MAIL: Chrisfontell@gmail.com
BLOG/artigos: http://infomix-cf.blogspot.com/
BLOG/Série CAI O PANO: http://christina-fontenelle.blogspot.com/
BLOG/opinião: http://infomix2.blogspot.com/
(*) A Rede Nacional de Televisão Estatal deve consumir R$250 milhões de recursos orçamentários nos próximos quatro anos. O projeto, destinado a divulgar ações governamentais, entra em choque com propostas em discussão no Congresso que sugerem a restrição dos gastos com propaganda. "Temo que o destino dessa rede seja se tornar uma TV Lula. É um despropósito"... "Pela proposta colocada, o governo quer uma TV de louvação e não de informação", critica o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) que integra a oposição ao governo e promete resistir à proposta. "Nem o Congresso nem a sociedade têm instrumentos para fiscalizar a programação de uma super-rede como essa que o governo planeja", acrescenta o vice-líder do PFL, José Carlos Aleluia (BA).
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Christina Fontenelle
E-MAIL: Chrisfontell@gmail.com
BLOG/artigos: http://infomix-cf.blogspot.com/
BLOG/Série CAI O PANO: http://christina-fontenelle.blogspot.com/
BLOG/Nossa VOZ: http://infomix2.blogspot.com/
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domingo, março 11, 2007
192) O Brasil e os Brics: entrevista com o criador da sigla
Da revista Veja, 13 de março de 2007
O Brasil está no jogo
Ronaldo França
Apesar de seu reduzido efeito prático, poucas coisas fizeram tão bem à auto-estima nacional, nesta década, quanto a projeção de que o Brasil chegará à metade deste século como uma das seis maiores potências mundiais, ao lado das também emergentes Rússia, Índia e China e somando-se aos estabelecidos Estados Unidos e Japão. O estudo, de 2001, foi feito pelo banco americano Goldman Sachs e já passou por várias atualizações. Quem o conduziu foi o chefe do departamento de pesquisas econômicas globais do banco, o economista inglês Jim O'Neill, 49 anos. É dele a autoria da sigla Bric, formada pelas iniciais dos países. Para chegar a suas conclusões sobre a construção das novas potências mundiais, O'Neill e sua equipe analisaram dados econômicos e demográficos. O Brasil continua bem na fita. Segundo ele, o país precisa de um estado menos gastador para crescer no ritmo que o levará ao graal das potências.
Veja – O crescimento do PIB brasileiro, no ano passado, foi de 2,9%. Apesar do resultado medíocre, é possível afirmar que o Brasil ainda é um Bric?
O'Neill – O que as pessoas devem entender é que, para o Brasil se manter como um Bric, ele precisa crescer entre 3% e 3,5% ao ano pelas próximas décadas. Nas últimas duas semanas, as pessoas passaram a se perguntar se o Brasil ainda continuaria sendo um Bric, já que dificilmente obteria as taxas de crescimento da China e da Índia. Em primeiro lugar, nós nunca achamos que isso ocorreria. Nossa previsão era que o Brasil cresceria 3,1% na primeira década e 3,5% no decorrer de outras quatro décadas. Se isso acontecer nas próximas quatro décadas, o país será a sexta maior economia do mundo. Então, respondendo à sua pergunta, claro que sim, o Brasil ainda é um Bric.
Veja – Mas nosso crescimento, nos últimos dez anos, foi de 2,2%, em média...
O'Neill – É verdade. Não parece que o Brasil vá crescer na década o que imaginávamos. Mas o Brasil tem se portado bem. Sei que muitas pessoas estão constantemente surpresas com o fato de considerarmos o país como Bric, mas isso é porque elas têm falsas expectativas sobre o país. Sabemos que, para o Brasil ser bem-sucedido como Bric, tudo de que precisa é evitar crises. Não é necessário fazer tanto quanto as pessoas pensam. Está indo bem.
Veja – Seus críticos afirmam que o termo Bric é uma embalagem nova para um produto velho. Que foi criado para vender mais papéis dos países emergentes, após as crises da Rússia, da Ásia e do México. O que o senhor costuma responder a eles?
O'Neill – Ouvi isso muitas vezes e sempre acho extremamente divertido. Se eu não tivesse sido o primeiro a usar esse termo, provavelmente diria o mesmo. Mas o estudo do Bric é, de longe, o mais popular sobre os fatores econômicos globais já publicado. Um grande número de pessoas subestima e não entende que, mesmo sendo muito diferentes entre si, os países do Bric possuem populações bem grandes, e o mais importante em termos de crescimento econômico é ter uma extensa população economicamente ativa e boa produtividade. Essas são as principais variáveis que utilizamos no cálculo dos Brics. O Brasil possui a segunda melhor demografia dos Brics. A China e a Rússia têm uma demografia ruim. Entre hoje e 2050, a população economicamente ativa da Rússia vai diminuir 25%. Na China, em dez anos, também cairá. No Brasil, ela continuará a crescer. Isso é um ponto muito importante.
Veja – O governo brasileiro lançou um pacote de medidas que inclui idéias como o investimento governamental intensivo para alavancar o crescimento. Isso funciona?
O'Neill – As evidências, ao redor do mundo, mostram que o investimento dos governos para o crescimento não obteve muito sucesso. O que o governo brasileiro poderia fazer de melhor seria não se envolver tanto em assuntos econômicos. O maior problema que o Brasil enfrentou nos últimos trinta anos foi a hiperinflação. O essencial agora é permitir ao Banco Central manter o regime de metas e uma inflação baixa. Isso, por si só, será um enorme benefício. Permitirá ao país fazer com que as taxas de juro de longo prazo caiam gradativamente, pois haverá maior confiança das pessoas em que a estabilidade será um estado permanente. Isso é mais importante do que tudo.
Veja – Os juros básicos altos são apontados como a principal causa do baixo crescimento brasileiro. O que o senhor acha?
O'Neill – Para que o Brasil confirme nossas projeções, precisa reduzir as taxas de juro de longo prazo. Isso quer dizer que as expectativas de inflação têm de cair e, adicionalmente, a situação fiscal do país precisa melhorar. Acho que a chave é o controle permanente dos gastos do governo. Mas, insisto, é fundamental que as pessoas aceitem que o Banco Central mantenha o atual sistema de metas de inflação. Sem isso, as taxas de juro de longo prazo não cairão, o que certamente impedirá os investimentos no Brasil e o crescimento do PIB.
Veja – O governo não tem sido muito tímido na redução da taxa de juros?
O'Neill – Me parece que o governo está um pouco tímido nessa questão. Ele poderia ser mais desafiador.
Veja – Em suas projeções, a moeda brasileira terá uma valorização de 129% em termos reais até 2050. Como crescer com câmbio tão desfavorável?
O'Neill – Quem culpa o câmbio pelo baixo crescimento do país está definitivamente errado. O ponto central é o aumento da produtividade. A valorização da moeda brasileira tem até ajudado nesse ponto. Quando o Brasil atingir taxas de produtividade ainda maiores, comparáveis às do mundo desenvolvido, a questão do câmbio desaparece. Se você olhar o que realmente aconteceu desde que fizemos as projeções, não há evidência de que o real valorizado tenha prejudicado o crescimento do país.
Veja – Além das sempre lembradas reformas estruturais, o que mais o Brasil precisa fazer para atrair mais investimentos e se integrar de vez ao fluxo internacional de capitais?
O'Neill – Três coisas. Uma delas, que eu sempre cito, é que o Brasil deverá se tornar uma sociedade em que a inflação baixa seja uma expectativa de longo prazo. Se fizer isso, atrairá tremendamente mais investimentos estrangeiros do que hoje. Em segundo lugar, a adequação de leis, regulamentos e características de comportamento do governo, que fariam com que os investidores se sentissem mais seguros ao investir no país. A terceira, que sempre falo em tom de brincadeira, é que o Brasil deveria se mudar para a Ásia ou para a Europa. Sua localização geográfica é obviamente uma desvantagem. Mas esse é um problema insolúvel. Os únicos que conseguiram superá-lo foram os jogadores da seleção brasileira.
Veja – Um estudo recente do FMI mostrou que toda vez que o investimento estrangeiro aumenta na Ásia, especialmente na China, diminui na América Latina. O que fazer?
O'Neill – A China é o maior fenômeno da nossa era. Não há nada que o Brasil possa fazer a respeito. Eu não me preocuparia com isso. Acredito que o que está acontecendo com a China e a Índia é um superciclo que o mundo não vê desde a reconstrução da Alemanha e do Japão. Ou o equivalente moderno ao que ocorreu com a América após a guerra civil. O Brasil e a América Latina não são os únicos que sofrem com a comparação na velocidade de crescimento. China e Índia são os grandes casos globais de sucesso do presente e do futuro imediato. É inviável a idéia de que o Brasil possa competir com países que têm mais de 1 bilhão de habitantes e, mais importante, centenas de milhares de pessoas se urbanizando rapidamente.
Veja – Mas, então, que vantagens o Brasil tem sobre os outros emergentes?
O'Neill – O Brasil é particularmente rico em produtos primários, as commodities, das quais a China e a Índia tanto precisam. Isso é uma grande vantagem, que o Brasil deveria explorar continuamente. Confesso que não nos demos conta disso quando fizemos nossa análise dos Brics. É um ponto vital.
Veja – Esquecer o mercado americano e apostar em comércio com os países pobres, opção de nossa diplomacia, atrapalha o crescimento?
O'Neill – Não me empolgo muito com esses acordos regionais de comércio. Como são burocratas, os funcionários de comércio exterior ficam muito excitados com essas coisas, mas existem muitos outros fatores para o desenvolvimento econômico natural. O Brasil deveria se concentrar neles, em vez de se preocupar com acordos específicos de comércio com Alca, África ou qualquer outro. Como disse antes, o Brasil tem muitas coisas de que a China precisa, e isso é o mais importante para a próxima década, no que diz respeito ao comércio internacional. Não acho que acordos comerciais sejam mais relevantes do que isso.
Veja – Dá para prever o que acontecerá no mundo com uma possível desaceleração da economia da China?
O'Neill – O que está havendo na China é uma desaceleração feliz. Será uma pequena desaceleração, muito pequena. A China crescerá 9,5%, em vez de 11%, e a América, 2,5%, em vez de 3%. Ainda assim, não existirá recessão na América e teremos uma economia extremamente forte na China.
Veja – A Índia tem mesmo condições de superar a China ?
O'Neill – Não. As pessoas que dizem isso são populistas, não estão apoiadas em evidências. A Índia tem déficit fiscal, um déficit crônico, e muitas coisas para mudar em termos de produtividade. A China deverá se manter muito forte. Os dois países estão bem, mas a China encontra-se numa posição bem mais forte hoje em dia.
Veja – Mas o fato de não ser uma democracia, e todas as conseqüências que isso traz ao desenvolvimento do próprio país, não coloca a China em desvantagem?
O'Neill – Isso pode ser uma vantagem.
Veja – Uma vantagem?
O'Neill – O fato de a Índia ser uma democracia é provavelmente uma desvantagem. Para um país que se desenvolve tão rapidamente, com grande número de pessoas, conseguir estabelecer a concordância entre 1,1 bilhão de pessoas é algo muito difícil. Isso é mais fácil na China, onde o governo pode simplesmente dizer a 1,3 bilhão de pessoas o que vai fazer e pronto. Então eu tenho uma visão, que é evidentemente controvertida, de que, no atual estágio de desenvolvimento dos dois países, a democracia é provavelmente uma desvantagem.
Veja – Com isso, o senhor está dizendo que, para os mercados emergentes, ser uma democracia é um problema?
O'Neill – Não de forma geral. O que estou dizendo é que para países com população extremamente grande, como China e Índia, que são os únicos do mundo com mais de 1 bilhão de habitantes, ser aberto como uma democracia não é obviamente uma vantagem em termos de crescimento econômico.
Veja – O que o senhor acha da proposta sempre presente no Brasil de o estado fazer superávits menores para sobrar dinheiro para gastar e com isso incentivar o crescimento?
O'Neill – É saudável para o Brasil ter crescimento maior e mais rápido, o que não pode é relaxar a meta de superávit fiscal pelo crescimento. Como disse antes, o governo brasileiro está muito presente na economia. É preciso diminuir essa presença.
Veja – Bem, agora vamos falar de um assunto sério para encerrar: futebol. Como ex-diretor do clube inglês Manchester United, este é um tema do qual o senhor gosta e entende. O que temos de fazer para ganhar a próxima Copa do Mundo?
O'Neill – O Brasil perdeu a última Copa simplesmente porque alguns jogadores não estavam em forma o suficiente para chegar a uma final de Copa do Mundo. O Ronaldinho não estava bem. Foi nisso que deu ele ter ido para o Barcelona em vez de vestir a camisa do Manchester United! Mas vocês provavelmente vencerão. Ganharam quase todos os outros torneios recentemente. Só que, ao contrário da economia, no futebol vocês têm de deixar algum outro país ganhar de vez em quando.
O Brasil está no jogo
Ronaldo França
Apesar de seu reduzido efeito prático, poucas coisas fizeram tão bem à auto-estima nacional, nesta década, quanto a projeção de que o Brasil chegará à metade deste século como uma das seis maiores potências mundiais, ao lado das também emergentes Rússia, Índia e China e somando-se aos estabelecidos Estados Unidos e Japão. O estudo, de 2001, foi feito pelo banco americano Goldman Sachs e já passou por várias atualizações. Quem o conduziu foi o chefe do departamento de pesquisas econômicas globais do banco, o economista inglês Jim O'Neill, 49 anos. É dele a autoria da sigla Bric, formada pelas iniciais dos países. Para chegar a suas conclusões sobre a construção das novas potências mundiais, O'Neill e sua equipe analisaram dados econômicos e demográficos. O Brasil continua bem na fita. Segundo ele, o país precisa de um estado menos gastador para crescer no ritmo que o levará ao graal das potências.
Veja – O crescimento do PIB brasileiro, no ano passado, foi de 2,9%. Apesar do resultado medíocre, é possível afirmar que o Brasil ainda é um Bric?
O'Neill – O que as pessoas devem entender é que, para o Brasil se manter como um Bric, ele precisa crescer entre 3% e 3,5% ao ano pelas próximas décadas. Nas últimas duas semanas, as pessoas passaram a se perguntar se o Brasil ainda continuaria sendo um Bric, já que dificilmente obteria as taxas de crescimento da China e da Índia. Em primeiro lugar, nós nunca achamos que isso ocorreria. Nossa previsão era que o Brasil cresceria 3,1% na primeira década e 3,5% no decorrer de outras quatro décadas. Se isso acontecer nas próximas quatro décadas, o país será a sexta maior economia do mundo. Então, respondendo à sua pergunta, claro que sim, o Brasil ainda é um Bric.
Veja – Mas nosso crescimento, nos últimos dez anos, foi de 2,2%, em média...
O'Neill – É verdade. Não parece que o Brasil vá crescer na década o que imaginávamos. Mas o Brasil tem se portado bem. Sei que muitas pessoas estão constantemente surpresas com o fato de considerarmos o país como Bric, mas isso é porque elas têm falsas expectativas sobre o país. Sabemos que, para o Brasil ser bem-sucedido como Bric, tudo de que precisa é evitar crises. Não é necessário fazer tanto quanto as pessoas pensam. Está indo bem.
Veja – Seus críticos afirmam que o termo Bric é uma embalagem nova para um produto velho. Que foi criado para vender mais papéis dos países emergentes, após as crises da Rússia, da Ásia e do México. O que o senhor costuma responder a eles?
O'Neill – Ouvi isso muitas vezes e sempre acho extremamente divertido. Se eu não tivesse sido o primeiro a usar esse termo, provavelmente diria o mesmo. Mas o estudo do Bric é, de longe, o mais popular sobre os fatores econômicos globais já publicado. Um grande número de pessoas subestima e não entende que, mesmo sendo muito diferentes entre si, os países do Bric possuem populações bem grandes, e o mais importante em termos de crescimento econômico é ter uma extensa população economicamente ativa e boa produtividade. Essas são as principais variáveis que utilizamos no cálculo dos Brics. O Brasil possui a segunda melhor demografia dos Brics. A China e a Rússia têm uma demografia ruim. Entre hoje e 2050, a população economicamente ativa da Rússia vai diminuir 25%. Na China, em dez anos, também cairá. No Brasil, ela continuará a crescer. Isso é um ponto muito importante.
Veja – O governo brasileiro lançou um pacote de medidas que inclui idéias como o investimento governamental intensivo para alavancar o crescimento. Isso funciona?
O'Neill – As evidências, ao redor do mundo, mostram que o investimento dos governos para o crescimento não obteve muito sucesso. O que o governo brasileiro poderia fazer de melhor seria não se envolver tanto em assuntos econômicos. O maior problema que o Brasil enfrentou nos últimos trinta anos foi a hiperinflação. O essencial agora é permitir ao Banco Central manter o regime de metas e uma inflação baixa. Isso, por si só, será um enorme benefício. Permitirá ao país fazer com que as taxas de juro de longo prazo caiam gradativamente, pois haverá maior confiança das pessoas em que a estabilidade será um estado permanente. Isso é mais importante do que tudo.
Veja – Os juros básicos altos são apontados como a principal causa do baixo crescimento brasileiro. O que o senhor acha?
O'Neill – Para que o Brasil confirme nossas projeções, precisa reduzir as taxas de juro de longo prazo. Isso quer dizer que as expectativas de inflação têm de cair e, adicionalmente, a situação fiscal do país precisa melhorar. Acho que a chave é o controle permanente dos gastos do governo. Mas, insisto, é fundamental que as pessoas aceitem que o Banco Central mantenha o atual sistema de metas de inflação. Sem isso, as taxas de juro de longo prazo não cairão, o que certamente impedirá os investimentos no Brasil e o crescimento do PIB.
Veja – O governo não tem sido muito tímido na redução da taxa de juros?
O'Neill – Me parece que o governo está um pouco tímido nessa questão. Ele poderia ser mais desafiador.
Veja – Em suas projeções, a moeda brasileira terá uma valorização de 129% em termos reais até 2050. Como crescer com câmbio tão desfavorável?
O'Neill – Quem culpa o câmbio pelo baixo crescimento do país está definitivamente errado. O ponto central é o aumento da produtividade. A valorização da moeda brasileira tem até ajudado nesse ponto. Quando o Brasil atingir taxas de produtividade ainda maiores, comparáveis às do mundo desenvolvido, a questão do câmbio desaparece. Se você olhar o que realmente aconteceu desde que fizemos as projeções, não há evidência de que o real valorizado tenha prejudicado o crescimento do país.
Veja – Além das sempre lembradas reformas estruturais, o que mais o Brasil precisa fazer para atrair mais investimentos e se integrar de vez ao fluxo internacional de capitais?
O'Neill – Três coisas. Uma delas, que eu sempre cito, é que o Brasil deverá se tornar uma sociedade em que a inflação baixa seja uma expectativa de longo prazo. Se fizer isso, atrairá tremendamente mais investimentos estrangeiros do que hoje. Em segundo lugar, a adequação de leis, regulamentos e características de comportamento do governo, que fariam com que os investidores se sentissem mais seguros ao investir no país. A terceira, que sempre falo em tom de brincadeira, é que o Brasil deveria se mudar para a Ásia ou para a Europa. Sua localização geográfica é obviamente uma desvantagem. Mas esse é um problema insolúvel. Os únicos que conseguiram superá-lo foram os jogadores da seleção brasileira.
Veja – Um estudo recente do FMI mostrou que toda vez que o investimento estrangeiro aumenta na Ásia, especialmente na China, diminui na América Latina. O que fazer?
O'Neill – A China é o maior fenômeno da nossa era. Não há nada que o Brasil possa fazer a respeito. Eu não me preocuparia com isso. Acredito que o que está acontecendo com a China e a Índia é um superciclo que o mundo não vê desde a reconstrução da Alemanha e do Japão. Ou o equivalente moderno ao que ocorreu com a América após a guerra civil. O Brasil e a América Latina não são os únicos que sofrem com a comparação na velocidade de crescimento. China e Índia são os grandes casos globais de sucesso do presente e do futuro imediato. É inviável a idéia de que o Brasil possa competir com países que têm mais de 1 bilhão de habitantes e, mais importante, centenas de milhares de pessoas se urbanizando rapidamente.
Veja – Mas, então, que vantagens o Brasil tem sobre os outros emergentes?
O'Neill – O Brasil é particularmente rico em produtos primários, as commodities, das quais a China e a Índia tanto precisam. Isso é uma grande vantagem, que o Brasil deveria explorar continuamente. Confesso que não nos demos conta disso quando fizemos nossa análise dos Brics. É um ponto vital.
Veja – Esquecer o mercado americano e apostar em comércio com os países pobres, opção de nossa diplomacia, atrapalha o crescimento?
O'Neill – Não me empolgo muito com esses acordos regionais de comércio. Como são burocratas, os funcionários de comércio exterior ficam muito excitados com essas coisas, mas existem muitos outros fatores para o desenvolvimento econômico natural. O Brasil deveria se concentrar neles, em vez de se preocupar com acordos específicos de comércio com Alca, África ou qualquer outro. Como disse antes, o Brasil tem muitas coisas de que a China precisa, e isso é o mais importante para a próxima década, no que diz respeito ao comércio internacional. Não acho que acordos comerciais sejam mais relevantes do que isso.
Veja – Dá para prever o que acontecerá no mundo com uma possível desaceleração da economia da China?
O'Neill – O que está havendo na China é uma desaceleração feliz. Será uma pequena desaceleração, muito pequena. A China crescerá 9,5%, em vez de 11%, e a América, 2,5%, em vez de 3%. Ainda assim, não existirá recessão na América e teremos uma economia extremamente forte na China.
Veja – A Índia tem mesmo condições de superar a China ?
O'Neill – Não. As pessoas que dizem isso são populistas, não estão apoiadas em evidências. A Índia tem déficit fiscal, um déficit crônico, e muitas coisas para mudar em termos de produtividade. A China deverá se manter muito forte. Os dois países estão bem, mas a China encontra-se numa posição bem mais forte hoje em dia.
Veja – Mas o fato de não ser uma democracia, e todas as conseqüências que isso traz ao desenvolvimento do próprio país, não coloca a China em desvantagem?
O'Neill – Isso pode ser uma vantagem.
Veja – Uma vantagem?
O'Neill – O fato de a Índia ser uma democracia é provavelmente uma desvantagem. Para um país que se desenvolve tão rapidamente, com grande número de pessoas, conseguir estabelecer a concordância entre 1,1 bilhão de pessoas é algo muito difícil. Isso é mais fácil na China, onde o governo pode simplesmente dizer a 1,3 bilhão de pessoas o que vai fazer e pronto. Então eu tenho uma visão, que é evidentemente controvertida, de que, no atual estágio de desenvolvimento dos dois países, a democracia é provavelmente uma desvantagem.
Veja – Com isso, o senhor está dizendo que, para os mercados emergentes, ser uma democracia é um problema?
O'Neill – Não de forma geral. O que estou dizendo é que para países com população extremamente grande, como China e Índia, que são os únicos do mundo com mais de 1 bilhão de habitantes, ser aberto como uma democracia não é obviamente uma vantagem em termos de crescimento econômico.
Veja – O que o senhor acha da proposta sempre presente no Brasil de o estado fazer superávits menores para sobrar dinheiro para gastar e com isso incentivar o crescimento?
O'Neill – É saudável para o Brasil ter crescimento maior e mais rápido, o que não pode é relaxar a meta de superávit fiscal pelo crescimento. Como disse antes, o governo brasileiro está muito presente na economia. É preciso diminuir essa presença.
Veja – Bem, agora vamos falar de um assunto sério para encerrar: futebol. Como ex-diretor do clube inglês Manchester United, este é um tema do qual o senhor gosta e entende. O que temos de fazer para ganhar a próxima Copa do Mundo?
O'Neill – O Brasil perdeu a última Copa simplesmente porque alguns jogadores não estavam em forma o suficiente para chegar a uma final de Copa do Mundo. O Ronaldinho não estava bem. Foi nisso que deu ele ter ido para o Barcelona em vez de vestir a camisa do Manchester United! Mas vocês provavelmente vencerão. Ganharam quase todos os outros torneios recentemente. Só que, ao contrário da economia, no futebol vocês têm de deixar algum outro país ganhar de vez em quando.
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