quinta-feira, junho 15, 2006

99) Uma opinião sobre o monopolio da Petrobras

Transcrevendo uma opinião contestando os argumentos em favor do monopólio da Petrobras. Este blog aceita publicar argumentos a favor.

O PETRÓLEO É NOSSO
14.06, 18h07
por Rodrigo Constantino
(do site de Diego Casagrande; neste link)

“Os esquerdistas, contumazes idólatras do fracasso, recusam-se a admitir que as riquezas são criadas pela diligência dos indivíduos e não pela clarividência do Estado.” (Roberto Campos)

Nada como o pseudo-nacionalismo para cegar os olhos à razão. Durante décadas, o chavão “o petróleo é nosso” foi utilizado para a perpetuação de um monopólio estatal ineficiente e corrupto. Simplesmente não existe um único argumento razoável para a manutenção da Petrobras como empresa monopolista estatal. Qualquer um minimamente blindado contra essa lavagem cerebral “nacionalista” entende que a competição de empresas privadas é a melhor garantia de bons produtos e serviços com preços acessíveis. Funciona assim em todos os setores, e o petróleo não é exceção. É preciso esforçar-se para não enxergar tal obviedade ululante.

Muitos comemoram agora a suposta auto-suficiência da Petrobras. Não questionam quanto tempo isso levou nem qual o custo de oportunidade para tanto. Ignoram que, caso o setor fosse dominado por diversas empresas privadas competindo livremente, a alocação de recursos seria muito mais eficiente, levando mais em conta a demanda dos consumidores. Quando temos um monopólio estatal, não há preocupação real com a lucratividade da empresa nem com a satisfação dos consumidores. A empresa torna-se veículo político para distribuição de cargos, palco de corrupção para empresários “amigos do rei”, fonte de verbas para artistas que pregam a “beleza” do Estado inchado e até mesmo financiadora de criminosos aliados ao governo, como o MST.

Se são tão evidentes assim – ou deveriam ser – as vantagens de se privatizar a Petrobras, por que isso ainda fica completamente fora dos debates nacionais? Ora, de cara podemos entender um dos principais motivos: os grupos de interesses que mamam nas tetas da empresa são vários, e organizados. Não vão largar o osso facilmente. Políticos populistas, empresários corruptos, artistas parasitas do Estado e sindicalistas poderosos vão lutar até o fim para manter a galinha dos ovos de ouro. Por outro lado, os que têm a ganhar com a venda da empresa, os consumidores e pagadores de impostos, não se organizam, posto que o benefício individual é pequeno. Cada um iria economizar um pouco na gasolina e nos impostos, caso a Petrobras fosse vendida. No geral, o resultado seria significativo, mas individualmente não é suficiente para que cada um dos beneficiados se dê ao trabalho de lutar com mais afinco pela privatização. Fora isso, um outro motivo para afastar da pauta de debates o tema é a antiga propaganda nacionalista por parte de intelectuais e demais formadores de opinião. Os inocentes úteis acabam deixando a emoção falar mais alto que a razão.

O Brasil acaba, assim, seguindo o modelo de países atrasados, onde o setor é dominado por um monopólio estatal totalmente ineficiente. Parecemos mais uma Venezuela, com sua PDVSA, que uma Inglaterra. Nos assemelhamos mais a um Irã que a uma Holanda. Estamos mais perto de uma Arábia Saudita, com sua Saudi Aramco, do que dos Estados Unidos, com dezenas de empresas privadas competindo. Não vamos esquecer que o setor de petróleo foi desenvolvido inicialmente nos Estados Unidos, pelo setor privado, e que nenhum outro país considera tal setor mais estratégico que eles. No entanto, lá temos diversas empresas privadas em busca de lucros, e por isso funciona bem, ao contrário do caso da Venezuela, onde um projeto a ditador usa a estatal monopolista para seus pérfidos interesses geopolíticos.

Vejamos uma pequena lista de algumas empresas privadas que atuam no setor de petróleo e gás nos Estados Unidos: AGL Resources, Allete, Alliant Energy, Anadarko Petroleum, Apache, Atmos Energy, Chesapeake Energy, Chevron Texaco, ConocoPhillips, Denbury Resources, Devon Energy, DPL, Dynegy, El Paso, EOG Resources, Equitable Resources, Exelon, Exxon Mobil, Forest Oil, Hess Corp, Kerr-McGee, KeySpan, Kinder Morgan, Marathon Oil, MDU Resources Group, Murphy Oil, National Fuel Gas, Newfield Explor, Noble Energy, Occidental Petrol, Oneok, Peoples Energy, PG&E, Piedmont, Pioneer Natural, Plains Exploration, Pogo Producing, Questar, Quicksilver, Range Resources, Scana, Sempra Energy, Southern Union, Southwestern Energy, Sunoco, Tesoro Petroleum, UGI, Unit, Valero Energy, Vectren, Western Gas, Williams, Wisconsin Energy, Xcel Energy, XTO Energy. O valor de mercado dessas empresas ultrapassa um trilhão de dólares. Temos ainda as empresas estrangeiras que atuam no mercado americano, como BP, Shell, Lukoil, a própria Petrobras e várias outras.

O setor de petróleo nos Estados Unidos também é estratégico. Mais ainda que aqui. Por isso mesmo fica nas mãos de dezenas de empresas privadas em busca do lucro. Os americanos não criaram a maior potência mundial por acaso. Sabem melhor como as coisas funcionam. Temos basicamente duas opções: aprender com o sucesso alheio e as experiências mundo afora ou ficar repetindo como autômatos que “o petróleo é nosso”, para a alegria daqueles que exploram essa mentalidade nacionalista em benefício próprio. Razão ou emoção, qual a escolha?

http://rodrigoconstantino.blogspot.com

2 comentários:

Caleidoscópio disse...

Reclamas de um discurso nacionalista, porém não enxergas a estreiteza do teu discurso liberal. Rotulo pois tu rotulas.
Não podemos simplesmente querer repetir "receitas prontas" como a "receita norte-americana". Caso, ao invés de termos feito nossa própria "receita", tivéssemos aberto nosso petróleo para as empresas estrangeiras, que já tinham a tecnologia e o dinheiro, além de entregar nosso patrimonio natural praticamente de graça e sem nenhuma condição de competição, não teríamos desenvolvido toda a tecnologia que temos hoje nesse ramo. Não teríamos a quinta maior empresa do mundo. Preste atenção nas comparações, pois como sei que és inteligente, não podes querer comparar nosso país com a Venezuela, que vive uma ditadura disfarçada, ou com a Arábia Saudita, uma monarquia Islâmica. A Petrobrás é uma empresa, de capital misto, e não um órgão onde "... não há preocupação real com a lucratividade da empresa nem com a satisfação dos consumidores. A empresa torna-se veículo político para distribuição de cargos, palco de corrupção para empresários “amigos do rei”... ". Opinião exótica quando se sabe que está falando da quarta maior empresa de petróleo do mundo, que investe pesado em pesquisa, em novas tecnologias energéticas, em esporte e na opinião pública.

Paulo R. de Almeida disse...

Caleidoscopio,
Eu nao sou o autor do artigo acima. De minha parte nao me ocupo apenas de discursos, mas de realidades.
Voce está falando de uma grande empresa que demorou 50 anos para sê-lo; talvez pudesse te-lo sido antes, se tivesse de fato uma direcao comercial, como foi o caso a partir dos anos 90.
Ela é grande hoje, nao pelo que se fez a partir de 2003, mas de antes, bem antes...
Tenho um artigo sobre o petroleo e a energia em meu site, procure.
Paulo Roberto de Almeida